A indústria da transformação do Rio Grande do Sul somou US$ 3,64 bilhões em exportações no primeiro trimestre de 2026, o que representa uma retração de 5,7%, ou US$ 220 milhões a menos, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados pelo Sistema FIERGS nesta quarta-feira, 15. Para o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, o desempenho reflete um ambiente internacional ainda desafiador.
“A indústria gaúcha segue sentindo os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos, que ainda impactam diversos segmentos, e já começa a observar reflexos do conflito no Oriente Médio sobre as exportações. Em um cenário externo adverso, é fundamental avançar na diversificação de mercados e no apoio às empresas exportadoras”, afirma.
De acordo com o levantamento da Unidade de Estudos Econômicos do Sistema FIERGS, a queda foi puxada pelo desempenho negativo de nove dos 23 segmentos industriais analisados na comparação anual. Os principais impactos negativos vieram do tabaco, que recuou 25,7% (US$ 169 milhões a menos), totalizando US$ 490 milhões em receita, e de celulose e papel, com queda de 23,5% (US$ 66,2 milhões a menos), somando US$ 215 milhões em vendas. Em contrapartida, o segmento de alimentos registrou expansão, com exportações de US$ 1,3 bilhão, alta de 15,9% (US$ 183 milhões).
EXPORTAÇÕES
Nos últimos oito meses, período em que estão em vigor as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, o Rio Grande do Sul exportou US$ 815 milhões em produtos industriais para o mercado norte-americano. O valor representa uma queda de 35,1 % (US$ 440 milhões a menos) em relação ao período equivalente do ano anterior.
Já para o Oriente Médio, as exportações da indústria gaúcha somaram US$ 60 milhões em março, um mês após o início dos conflitos na região, o que corresponde a uma retração de 15,9% (US$ 11,4 milhões).
IMPORTAÇÕES
As importações do Rio Grande do Sul totalizaram US$ 2,91 bilhões no primeiro trimestre de 2026, uma redução de US$ 156 milhões frente ao mesmo período de 2025, o equivalente a uma queda de 5,1%. No trimestre, a maior parte das compras gaúchas foram de produtos classificados como pertencentes ao ramo de Automóveis.

