Abiquim descarta desabastecimento setorial em função do conflito no Oriente Médio

Foto: Crédito: Divulgação

A escalada do conflito militar no Oriente Médio e as incertezas globais quanto aos seus desdobramentos econômicos e geopolíticos de curto, médio e longo prazo reafirmam a importância estratégica da indústria química brasileira para a soberania produtiva nacional. O segmento garante abastecimento em quantidade e qualidade suficientes para as mais variadas e complexas cadeias de valor, confirmando o compromisso histórico do setor químico nacional com toda a sociedade brasileira. A avaliação é da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

Para a entidade, nos principais grupos de produtos químicos fabricados no Brasil não há risco estrutural nem sequer conjuntural de desabastecimento. Atualmente, essa indústria opera no País com uma ociosidade de cerca de 40%, o que representa uma reserva estratégica de disponibilidade imediata com garantia de fornecimento para toda a indústria de transformação, em complemento ou até mesmo em substituição aos produtos importados. Os principais mercados fornecedores são Estados Unidos, China e até mesmo países da nossa região como México, Colômbia e Argentina, todos bastante distantes geograficamente da zona de conflito do Oriente Médio, os quais mantêm oferta abundante e sem perspectivas de rupturas operacionais e, em muitos casos, até mesmo predatória ao mercado brasileiro.

A estrutura de oferta internacional é ampla, diversificada e concentrada em países que não apresentam risco de interrupção logística capaz de gerar escassez de curto prazo. A isso se soma, diz a Abiquim, a oferta diversificada do produto químico brasileiro, particularmente para a indústria do plástico, possibilita garantia operacional para os mais variados setores, de alimentos a cosméticos, de eletrodomésticos a embalagens, e traz tranquilidade para os consumidores ao afastar receios de desabastecimento.

PRESSÃO NOS CUSTOS

O recente agravamento da situação bélica em uma das principais geografias produtoras de petróleo e gás traz forte pressão de custos globalmente, o que reforça a necessidade de uma rápida atuação com foco na preservação das indústrias domésticas, sobretudo aquelas, como a química, mais expostas ao risco de se tornarem alvos fáceis e imediatos de fornecedores estrangeiros em condições predatórias. No caso do PVC, por exemplo, produto fundamental em setores como construção civil, saneamento básico, embalagens diversas, as importações passaram a ocupar parcela relevante do mercado brasileiro.

Isso se deve à práticas desleais de alguns fornecedores estrangeiros e que foram corrigidas por medidas de defesa comercial e de tarifas emergenciais, reestabelecendo condições indispensáveis para um mercado interno saudável e para a expressiva produção doméstica que se complementa por produtos vindos da Colômbia e da Argentina, origens regionais, nada impactadas por logística de suprimentos do Oriente Médio, que somadas totalizam praticamente 60% de todas as importações brasileiras de PVC.

“A indústria química brasileira é um pilar estratégico de resiliência, especialmente em cenários instáveis de guerra e rupturas logísticas internacionais. A existência de capacidade instalada, tecnologia, diversidade produtiva e suporte regulatório adequado garante que o Brasil tenha condições de mitigar choques globais e preservar a segurança de suprimento, em insumos essenciais para cadeias produtivas críticas”, diz a nota da Associação.

 

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