As vendas no setor de bares e restaurantes tiveram queda de 3,7% em junho. Os dados são do Índice Abrasel-Stone, relatório mensal divulgado pela Stone, principal parceira do empreendedor brasileiro, em parceria com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Em relação ao mesmo período do ano anterior, a queda foi de 5,8%. No acumulado semestral, o setor registrou estabilidade, com uma pequena queda de 0,2% em relação ao segundo semestre de 2024.
Dos 24 estados contemplados pelo levantamento, apenas dois registraram crescimento nas vendas do setor de bares e restaurantes em junho, na comparação anual: Sergipe (3,2%) e Tocantins (0,9%). Já entre os estados com desempenho negativo, as maiores quedas foram observadas no Rio Grande do Sul (17,7%) e em Santa Catarina (13,3%), seguidos por Alagoas (7,7%), Roraima (7,6%), Paraíba (6,7%), Paraná (6,4%), Rondônia (6,2%) e Mato Grosso (6,1%).
O Índice Abrasel-Stone monitora o desempenho do setor de alimentação fora do lar em 24 estados brasileiros. Desenvolvido a partir da base transacional da Stone, o indicador oferece uma leitura precisa e atualizada sobre a variação das vendas no setor, com o objetivo de apoiar empreendedores na tomada de decisões mais estratégicas. Para o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, o resultado de junho surpreendeu negativamente por ocorrer em um mês que, tradicionalmente, é impulsionado por datas comemorativas importantes para o setor.
“A retração significativa no Índice Abrasel-Stone em junho nos pegou de surpresa, especialmente por ocorrer em um mês tradicionalmente aquecido pela Semana dos Namorados e festas regionais. O resultado acompanha a desaceleração observada no varejo como um todo, refletindo os efeitos combinados de juros elevados, inflação persistente e perda de poder de compra. É preocupante, mas esperamos que reflita uma situação mais pontual. Mantemos uma boa expectativa para o segundo semestre”, afirma.
MERCADO DE TRABALHO
Segundo Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone, no cenário econômico mais amplo, o mercado de trabalho brasileiro apresenta avanços, apesar dos desafios que pressionam o consumo das famílias.
“O mercado de trabalho brasileiro segue mostrando sinais positivos, com a taxa de desemprego recuando e a geração de mais vagas formais de emprego no período. Contudo, o ritmo da criação de empregos mostra sinais de estabilização, com o último dado vindo um pouco abaixo das expectativas. Por outro lado, o elevado comprometimento da renda das famílias com o serviço da dívida continua pressionando negativamente o consumo. A inflação, apesar de ainda estar em patamar elevado, apresenta uma desaceleração, refletindo, em parte, a perda de dinamismo da atividade econômica. Esses fatores combinados indicam um cenário econômico que exige atenção, mas que também sinaliza caminhos para uma recuperação gradual.

