Mais um setor produtivo gaúcho ingressou na lista daqueles que avaliam o impacto do tarifaço imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, aos produtos importados do Brasil. A reunião-almoço do Sinduscon-RS, realizada nesta segunda-feira, 21, na sede da entidade, reuniu os economistas da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Marcelo Ayub e Caroline Puchale que falaram sobre os Impactos das Tensões Comerciais na Economia Brasileira e Gaúcha.
Juntamente com o presidente do sindicato, Claudio Teitelbaum, os especialistas concordaram que a disputa representa mais um embate político que econômico. “Nada é tão ruim que não possa piorar. Não haverá vencedores”, comentou Ayub. O analista considera que alguns níveis da sociedade brasileira não estão entendendo corretamente a gravidade do cenário se não houver uma mudança e um avanço na área diplomática.
O destaque do encontro foi o impacto da retomada das tarifas comerciais pelos Estados Unidos, especialmente sobre produtos brasileiros, que deve provocar uma queda de 0,16% no Produto Interno Bruto (PIB) nacional e a perda de aproximadamente 110 mil empregos. O Rio Grande do Sul figura como o segundo estado brasileiro mais afetado, com perda estimada de R$ 1,9 bilhão, atrás apenas de São Paulo, que deve registrar impacto de R$ 4,5 bilhões.
Parda Marcelo Ayub, os setores com maior exposição ao tarifaço de Trump são o metal, o segmento de máquinas e o calçadista. Já aqueles com impacto são o de madeiras, celulose e metal. “As entidades empresariais estão buscando abrir um canal de negociação com interlocutores do governo norte-americano. Queremos o reconhecimento de operações de venda já realizadas e embarcadas até a data de 1º de agosto, assim como o adiamento do período em que vão vigorar as imposições tarifárias por um período de 90 dias”, diz Ayub.
AJUSTE
No âmbito nacional, a economista Caroline Puchale apontou o desajuste fiscal como um dos principais entraves ao crescimento sustentado. Mesmo antes da atual crise internacional, a combinação de inflação elevada, juros altos (com a Selic projetada em 15% para 2025) e medidas tributárias controversas, como o aumento e a posterior revisão do IOF, já pressionava a economia. “Nosso problema é estrutural. A rigidez orçamentária e a ausência de reformas como a administrativa agravam o desequilíbrio fiscal. Isso afeta diretamente a previsibilidade e o ambiente de negócios”, alertou Puchale.

