Setor de bares e restaurantes gaúchos mantém endividamento elevado

Foto: Créditos: divulgação

Mesmo diante de um cenário econômico instável, o setor de alimentação fora do lar no Rio Grande do Sul segue demonstrando capacidade de adaptação. De acordo com a pesquisa mensal da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel no RS), 47% das empresas operaram com lucro em agosto, enquanto 32% registraram estabilidade e 20% tiveram prejuízo. O 1% restante corresponde às empresas que ainda não existiam no período.

Em comparação com o mês anterior, 44% dos negócios relataram aumento no faturamento, 37% apontaram queda e 19% permaneceram estáveis. Os números mostram uma oscilação leve, mas indicam que boa parte dos empreendimentos conseguiu sustentar apesar dos custos elevados. O levantamento também mostra que os reajustes de preços seguem limitados. Nos últimos 12 meses, 54% dos estabelecimentos ajustaram os valores conforme ou abaixo da inflação, enquanto 10% aplicaram aumentos acima do índice inflacionário e 36% não conseguiram repassar nenhum aumento aos cardápios.

Em relação ao endividamento, o percentual de empresas com contas em atraso subiu para 27%. Os principais débitos estão ligados a impostos federais (82%), empréstimos bancários (57%) e impostos estaduais (47%), o que reforça a necessidade de medidas que aliviem o peso tributário e facilitem o acesso ao crédito para o setor.

Para o presidente da Abrasel no RS, Leonardo Dorneles, o cenário revela tanto a força do empreendedor quanto a vulnerabilidade do setor. “O setor de alimentação fora do lar no Rio Grande do Sul demonstra uma resiliência notável, com metade das empresas operando com lucro e uma parcela significativa ampliando o faturamento”, afirma.

Apesar dos sinais positivos, ele destaca que a recuperação ainda é frágil e depende de um ambiente mais estável. “O endividamento e a dificuldade em repassar a inflação aos preços persistem, e isso mostra que o equilíbrio financeiro ainda é um desafio. Precisamos de um ambiente de negócios mais previsível para garantir uma recuperação sustentável em todo o Estado”, finaliza.

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