O Rio Grande do Sul tem 35,09% da população adulta com alguma restrição em crédito, cheque ou protesto. Em Porto Alegre, o índice chegou a 36,17%, o que representa mais de 3 milhões de CPFs negativados no Estado, sendo 388.772 apenas na Capital. Os dados fazem parte do Indicador de Inadimplência da CDL Porto Alegre de agosto de 2025, com base em números da Equifax/Boa Vista, os maiores percentuais desde o início da série histórica, em fevereiro de 2022.
De acordo com a Assessoria Econômica da CDL POA, chama a atenção não só o nível atual dos índices como o ritmo do crescimento. A métrica que compara os números com o mesmo período do ano anterior atingiu recentemente variações de dois dígitos – algo sem precedentes. Esse movimento está diretamente ligado ao cenário macroeconômico, marcado pela manutenção da Taxa Selic em 15% ao ano, o maior nível desde 2006, e pela inflação (IPCA) acima de 5% desde fevereiro. Por sua vez, os alimentos acumulam alta de 7,4% até agosto, reduzindo ainda mais o poder de compra das famílias, especialmente as mais pobres.
“O quadro de inadimplência reflete a combinação entre juros elevados, pressão sobre os preços, desaceleração da economia brasileira e múltiplas incertezas. Apesar de sinais positivos oriundos do mercado de trabalho e de estímulos ao consumo do Governo Federal, entendemos que a situação tende a permanecer delicada no curto prazo, com expectativa de início de queda da Taxa SELIC apenas em 2026”, avalia o economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank.
RECORDE
No âmbito estadual, a fragilidade da economia também ajuda a explicar os números. O Índice do Banco Central (IBC) de atividade econômica do Rio Grande do Sul apresentou o segundo pior desempenho no primeiro semestre de 2025 frente ao ano anterior, com incremento de apenas 0,6%, o que contribui para o aumento da quantidade de negativados.
Além das famílias, as empresas gaúchas enfrentam um cenário igualmente desafiador. O Indicador de Inadimplência da CDL POA para pessoas jurídicas também atingiu recorde histórico em agosto: 16,03% no Rio Grande do Sul e 16,74% em Porto Alegre. Em números absolutos, são 250.180 CNPJs negativados no Estado e 42.252 na Capital.

