Quase metade dos bares e restaurantes gaúchos têm queda no faturamento em agosto, aponta Abrasel

Foto: Créditos: divulgação

O setor de alimentação fora do lar no Rio Grande do Sul perdeu ritmo em agosto após o avanço registrado no mês anterior. Pesquisa realizada pela Abrasel no RS entre os dias 21 e 30 de setembro mostra que 49% dos bares e restaurantes gaúchos registraram queda no faturamento em agosto na comparação com julho. Outros 28% mantiveram estabilidade e 23% apontaram crescimento.

O resultado representa uma mudança em relação ao levantamento anterior da entidade. Em julho, 56% dos estabelecimentos haviam registrado aumento no faturamento, enquanto 30% apontaram queda. Mesmo com a desaceleração das vendas, a situação financeira dos estabelecimentos apresentou maior equilíbrio. Em agosto, 43% das empresas operaram com lucro, enquanto 37% registraram estabilidade e 20% tiveram prejuízo.

Para o presidente da Abrasel no RS, Leonardo Dorneles, o cenário indica uma acomodação após a movimentação mais intensa observada no período de férias. “Passada a movimentação das férias, o setor gaúcho entrou em um compasso de ajuste no ritmo de clientes em agosto. Mesmo com o menor volume de vendas, a estabilidade financeira se manteve, mostrando que o foco agora é a disciplina de custos para preparar o encerramento do ano”, afirma Dorneles.

Preços

A capacidade dos empresários de repassar o aumento dos custos aos consumidores também permanece limitada. Nos 12 meses entre setembro de 2025 e agosto de 2026, 34% dos estabelecimentos não conseguiram reajustar seus preços. Outros 59% fizeram reajustes conforme ou abaixo da inflação e apenas 7% aplicaram aumentos acima dela.

Outro ponto de atenção é o endividamento. A pesquisa mostra que 34% das empresas possuem pagamentos em atraso. Entre os empresários nessa situação, os impostos federais são o principal débito, mencionados por 95%, seguidos pelos impostos estaduais, citados por 51%.

Apesar da pressão, o percentual de empresas com contas em atraso apresentou melhora em relação ao levantamento anterior. Na pesquisa referente ao desempenho de julho, 40% dos estabelecimentos possuíam pagamentos em atraso.

Os resultados mostram um setor que conseguiu preservar parte de sua estabilidade financeira mesmo diante da redução do faturamento, mas que segue pressionado pela dificuldade de recompor preços e pelo passivo acumulado. A expectativa agora se volta para os últimos meses do ano, período tradicionalmente marcado pelo aumento da movimentação em bares e restaurantes.

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