Quase 6 em cada 10 profissionais podem deixar a empresa após quebra de acordos básicos, revela pesquisa

Foto: Foto: Guilherme Testa / CPMemória

O segundo capítulo da série Panorama do Trabalho no Brasil, mapeamento realizado pela Serasa Experian, primeira e maior datatech do país, revela que 6 em cada 10 profissionais considerariam deixar a empresa diante da quebra de acordos básicos. Segundo os dados, 57,2% dos entrevistados afirmam que cogitariam sair da organização caso houvesse redução de salário ou benefícios, enquanto 40% citam a incoerência entre discurso e prática como motivo para romper o vínculo com o empregador.

O levantamento analisa os critérios que sustentam ou fragilizam a relação entre profissionais e empresas no Brasil, a partir de acordos financeiros, expectativas de coerência e confiança no dia a dia de trabalho. Para Fernanda Guglielmi, gerente de Recursos Humanos da Serasa Experian, os números reforçam a relevância de fatores básicos para a manutenção do vínculo profissional. “Quando elementos fundamentais da relação profissional são alterados, como remuneração, benefícios ou coerência entre discurso e prática, o vínculo tende a se fragilizar. O que observamos é que consistência e previsibilidade são essenciais para sustentar relações de confiança no longo prazo”, comenta.

VÍNCULO

O mapeamento mostra que os fatores que sustentam o vínculo entre profissionais e empresas variam de acordo com a geração. No total, 41,9% dos entrevistados afirmam que sentir que sua experiência e conhecimento são valorizados aumenta a confiança em relação à estabilidade no emprego. Esse percentual que chega a 52,2% entre os Baby Boomers e 44,4% na Geração X.

O reconhecimento por um bom trabalho é citado por 39,7% do total, com maior incidência entre a Geração X (42,9%) e os Baby Boomers (41,2%), enquanto entre Millennials (37,7%) e Geração Z (37,1%) os percentuais se mantêm próximos da média geral.

A presença de uma liderança justa e transparente aparece como fator relevante para 36,9% dos entrevistados, com maior peso entre profissionais da Geração X (39,3%) e Millennials (39,1%). Já trabalhar em uma empresa financeiramente sólida é mais citado por Baby Boomers (36,8%) e Geração X (34,2%).

Fernanda reforça que a sensação de estabilidade é construída de maneiras distintas ao longo da trajetória profissional. “Cada geração se ancora em fatores diferentes para se sentir segura no ambiente de trabalho. Entender essas prioridades ajuda as empresas a estruturar práticas de gestão, reconhecimento e liderança mais alinhadas às expectativas dos profissionais em diferentes momentos da carreira”, finaliza.

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