Pequenos negócios demonstran otimismo cauteloso, aponta pesquisa

Foto: Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

Apesar das incertezas no cenário econômico, os pequenos negócios do Rio Grande do Sul seguem mostrando força, capacidade de adaptação e desejo de crescimento. É o que revela a 43ª edição da Pesquisa de Monitoramento dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae RS entre os dias 1º e 24 de julho, que analisou as expectativas dos empreendedores, os principais desafios enfrentados na gestão, acesso ao crédito, comportamento do faturamento, ocupação e controle de custos.

O levantamento, que acompanha mensalmente a percepção dos empreendedores gaúchos, aponta que 40% dos empresários pretendem expandir seus negócios nos próximos dois meses, sinalizando confiança na retomada da economia. Outros 51% planejam manter as operações no nível atual, o que reforça uma postura de estabilidade diante das oscilações do mercado. Já o número de empreendedores que consideram reduzir suas atividades subiu de 3% (em maio) para 7%, e 2% cogitam encerrar seus negócios.

“A situação econômica externa está instável e difícil de ser mensurada, sim, mas, o fato de mais da metade das empresas investirem, demonstra que elas não querem esperar para ver os reflexos, e, sim, conseguirem fazer os investimentos para influenciar positivamente nos seus resultados. Elas estão se preparando para os impactos que podem surgir”, analisa Augusto Martinenco, gerente de Competitividade Setorial do Sebrae RS.

Quando o olhar se volta para o desempenho da economia estadual, a pesquisa aponta um leve aumento no pessimismo: 23% dos empreendedores têm visão negativa sobre o cenário econômico, contra 18% na edição anterior. Ainda assim, a maioria acredita em estabilidade ou crescimento. Já em relação ao próprio setor de atuação, o otimismo é maior: 53% acreditam em crescimento, 35% esperam estabilidade e 12% têm uma visão negativa.

“Nos chama a atenção na pesquisa a diferença entre a percepção do empreendedor sobre seu setor e sobre a economia do estado. Eles conhecem bem os elementos do seu mercado e a partir daí acreditam nas suas estratégias. Isso é ótimo”, diz Martinenco. 

A pesquisa também detalha os principais entraves à gestão e ao crescimento dos pequenos negócios. O planejamento do negócio segue como maior desafio, citado por 64% dos entrevistados. A ausência de um plano estruturado impacta a definição de metas, o controle financeiro e a tomada de decisões estratégicas. Além disso, 13% dos empreendedores afirmam estar em processo de reconstrução, ainda lidando com os impactos das enchentes que afetaram duramente o estado.

“Mesmo mais de um ano após as enchentes, os dados mostram que os efeitos seguem vivos na rotina dos pequenos negócios. É um bom momento para ampliação de mercado e as questões de gestão, em especial de gestão financeira. Empresas endividadas terão o desafio de pagar os financiamentos e precisam de apoio para um bom planejamento e, também, políticas públicas que ainda possam fazer postergações para que as empresas afetadas possam honrar os seus compromissos.”, completa o gerente. 

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