Páscoa de 2026 deve ter vendas mais contidas no RS, avalia Fecomércio-RS

Foto: Crédito: Divulgação

A Páscoa de 2026 deve apresentar um desempenho mais moderado no comércio gaúcho em relação à data do ano anterior. A avaliação da Fecomércio-RS indica que, embora a renda das famílias siga como um fator de sustentação, o cenário é marcado por um impulso mais limitado do que o observado no ano passado, com expectativa de uma taxa de crescimento real das vendas inferior ao da Páscoa de 2025. Os preços de chocolates em barra e bombons acumulam alta de 24,1% desde a última Páscoa, segundo dados do IBGE, movimento muito superior ao do índice geral de preços e em contraste com a queda observada no grupo de alimentos. Esse encarecimento tende a influenciar diretamente as decisões de compra.

“A renda dos gaúchos continuou crescendo no ano passado, e isso é positivo para a data, mas o avanço foi menor que no período anterior à Páscoa passada. Além disso, os preços elevados do chocolate, mais uma vez, pesam contra e limitam uma expectativa melhor para as vendas (em termos reais) neste ano, mesmo com aumento esperado de faturamento. Por isso, as lojas precisam ser criativas, promovendo ações capazes de atrair os consumidores e de contornar os obstáculos conjunturais que vão se apresentar na Páscoa de 2026” comentou o presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, Luiz Carlos Bohn.

No mercado de trabalho, os indicadores mais recentes disponíveis mostram que apesar de 2025 ter tido avanços menos intensos que em 2024, ainda assim houve melhora importante no período de um ano, contribuindo positivamente para a Páscoa de 2026. No último trimestre de 2025, a massa de rendimento real no Rio Grande do Sul cresceu 3,5% frente ao último trimestre de 2024. Já a taxa de desocupação recuou de 4,5% para 3,7% nesse período. Para além do emprego, o desconto do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais deve contribuir, neste ano, para elevar a renda disponível, com incremento estimado em cerca de 0,7% na massa real de rendimento.

Por outro lado, o principal item associado à data tem nos preços um aspecto negativo para as vendas deste ano. “As famílias vão às compras nesta Páscoa, e buscarão opções de presentes que no conjunto, caibam no orçamento. Preços mais elevados, com consumidores cautelosos e atentos, devem repercutir em mais estratégia na decisão dessas compras, que passa por pesquisar preços e comparar diferentes opções.” comentou o presidente.

O ambiente de crédito e endividamento, apesar de ter influência menor que a renda para a data, indica um quadro mais desafiador das finanças das famílias que no ano anterior. A inadimplência avançou ao longo do último ano, tanto no Brasil quanto no estado, enquanto o comprometimento de renda das famílias aumentou.

A partir de agora, as vendas para a Páscoa se intensificam. O varejo já está preparado, mas precisa garantir uma comunicação eficiente e assertiva, sobretudo agora, para mostrar as diferentes possibilidades – diversidade de produtos, formatos, preços, condições etc. – que seu negócio dispõe para viabilizar as compras para diferentes bolsos”, explica Bohn.

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