Novas tensões comerciais sino-americanas marcam semana econômica

Foto: Crédito: Freepik

O estilo “paz e amor” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parece que acabou! A perda do Prêmio Nobel da Paz de 2025 devolveu o discurso belicoso do presidente americano, recalibrando a sua ira para a China com o anúncio na sexta-feira, 10, após o fechamento de mercados, de tarifas adicionais de 100% sobre produtos importados do país asiático, além do controle de 100% sobre a exportação americana de softwares críticos para a China.  A reação de Trump tem uma base sólida.

Na última quarta-feira, 8, a China tinha anunciado a inclusão de cinco novos elementos de terras-raras à lista de controle de exportações, além de aumentar a vigilância sobre usuários de semicondutores e incluir dezenas de tecnologias de refino na lista de restrições. Estes elementos são matérias-primas essenciais para a produção de eletrônicos, baterias de veículos elétricos e outros produtos da indústria de tecnologia. O anúncio de Trump foi a confirmação da ameaça à China de sexta-feira, quando o presidente americano elevou o tom contra o país asiático e anunciou que não se reunirá mais com o presidente chinês no fim deste mês.

Os mercados tombaram após a ameaça e o sentimento de aversão a risco prevaleceu, o que deve continuar na segunda-feira, 13. A retomada da guerra comercial se soma às incertezas da paralisação do governo dos EUA, que impactou na divulgação dos dados econômicos sob responsabilidade de órgãos ligados à máquina pública federal americana. Com isso, os poucos indicadores divulgados pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) e instituições ganham importância.

Um deles é o Livro Bege do Fed, que reúne o levantamento sobre atividade econômica, inflação e mercado de trabalho nas áreas de atuação dos Feds regionais. O Livro Bege será divulgado às 15h00 na quarta-feira (15).  Além disso, ocorre nesta semana a reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, sob a expectativa de reunião de pessoas influentes que comandam a economia mundial, entre os quais as autoridades monetárias dos principais bancos centrais. Com isso, devem continuar os discursos de membros do Fed a respeito de qual mandato da instituição é o principal para ser mirado neste momento, com riscos crescentes para ambos: a estabilidade de preços e a promoção do
pleno-emprego.

A ala majoritária, liderada pelo chair Jerome Powell, prega a cautela em relação à continuidade dos cortes de juros, ressaltando que o enfraquecimento do mercado de trabalho não significa que ele não esteja saudável e alertando sobre os riscos de inflação com os desdobramentos das tarifas. “Agora com a adoção de novas alíquotas sobre as importações chinesas e com o apagão de dados, será que o Fed vai optar pela manutenção das taxas de juros em 4-4,25% por precaução?”, questiona Leandro Manzoni, economista da plataforma Investing,com.

MERCADO DOMÉSTICO

Já no Brasil, a semana será marcada por dados de atividade referentes a agosto. Após a produção industrial surpreender na semana passada, vindo acima das projeções do mercado, agora será a vez de vendas no varejo, volume de serviços e o IBC-Br (considerado a prévia do PIB calculado pelo Banco Central) do período. No início da semana, o Boletim Focus continua sob os holofotes, com o mercado monitorando se a projeção da inflação para 2027 – período que o Copom observa para decidir a taxa Selic – vai retomar a queda após três semanas de manutenção. Na semana passada, as projeções para o IPCA deste ano recuaram levemente, de 4,81% para 4,80%, sem alterações nas estimativas para os anos seguintes.

“É provável que a estimativa continue imóvel, com as crescentes incertezas após a derrubada da Medida Provisória (MP) que previa taxação dos investimentos pela Câmara dos Deputados e a promessa de ‘pacote de bondades’ do governo para 2026, ano eleitoral”, diz Manzoni
Por mais que o Copom aborda a questão do hiato do produto positivo – ou seja, a economia operando acima da capacidade – com um mercado de trabalho aquecido e massa salarial nas máximas históricas, os economistas do mercado devem dar mais peso para a política fiscal na hora de estimar o IPCA de 2027.

Além disso, a fala do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento de lançamento do novo crédito imobiliário com o presidente Lula trouxe arranhões no seu discurso duro. Isso porque Galípolo fala sobre o aumento da potência monetária com o programa de crédito, que é estimulativo e, na verdade, pode diminuir a eficácia da política monetária em elevar a taxa de juros para derrubar a inflação. Por fim, a temporada de balanços do terceiro trimestre de empresas com ações listadas nas bolsas de valores em Wall Street começa nesta semana. Na terça-feira,, 14, os maiores bancos americanos dão o pontapé inicial para a divulgação dos resultados financeiros do terceiro trimestre de 2025 das companhias abertas.

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