Mercado também monitora decisão sobre juros nos EUA

Foto: Crédito: Getty Images/Blend Images

O Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, deve manter a taxa de juros inalterada diante da persistência da inflação próxima de 3% ao ano, cerca de 1 ponto percentual acima do centro da meta de 2%. Além disso, houve melhora recente na taxa de desemprego, combinada com um Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre acima do esperado e projeções de expansão anualizada superior a 5% no quarto trimestre, segundo o GDPNow do Fed de Atlanta.

A taxa no intervalo entre 3,5% e 3,75% se encontra em patamar levemente restritivo, o que contribui para a continuidade do processo de desinflação em direção à meta, além de oferecer margem de manobra caso a taxa de desemprego volte a subir. Vale lembrar que o Fed atua sob um duplo mandato: estabilidade de preços e pleno emprego.

O Fed e três dos bancos centrais – Brasil, Canadá e Suécia – que recentemente manifestaram apoio ao presidente da autoridade monetária americana, Jerome Powell — alvo de forte pressão — devem manter as taxas de juros inalteradas em um momento delicado para os formuladores de política monetária globais. Autoridades em Washington são contrárias os apelos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

RISCO DE INFLAÇÃO

Se os dados mantiverem essa tendência — com risco de a inflação ao menos permanecer nesse patamar ou até voltar a subir, em um contexto de serviços ainda dinâmicos e reprecificação de bens em função das tarifas, conforme apontado no último Livro Bege —, é altamente provável que o atual chair, Jerome Powell, não promova novos cortes de juros até o fim de seu mandato, em maio. O mercado já trabalha com essa hipótese, precificando um novo corte apenas na reunião de junho, a primeira sob o comando do presidente do Fed indicado por Donald Trump.

“Rick Rieder, executivo da BlackRock, ganhou força nos últimos dias como possível nome para comandar o Fed. A credibilidade de Rieder em Wall Street e sua abertura a promover mudanças fortaleceram sua candidatura. Segundo a Bloomberg, ele é visto como alguém com perfil adequado para o cargo e teria chamado a atenção de Trump por suas ideias”, comenta Leandro Manzoni, analista da plataforma Investing.com.

Uma preocupação que surgiu no círculo próximo ao presidente é se Rieder seguiria orientações para cortar rapidamente os juros ao assumir o cargo ou se adotaria postura independente. Vale lembrar que o próprio Powell foi indicado por Trump e resistiu à pressão da Casa Branca por cortes de juros durante o primeiro mandato do republicano.

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