Manutenção da Selic reforça preocupação com o ambiente externo

Foto: Crédito: Freepik

A manutenção da taxa de juros em 15% ao ano impacta num severo aperto monetário para as empresas e para o crédito das famílias, também impactadas pelo aumento do IOF. Embora a inflação tenha recuado e a atividade econômica apresente sinais de desaceleração desde a última reunião, o mercado de trabalho segue resiliente e os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre a atividade econômica, a inflação e o câmbio aumentam a percepção de incerteza no cenário atual.

“Como temos reiterado, é urgente a necessidade de redução estrutural da taxa de juros no país. Para isso, é fundamental que o governo brasileiro atue no sentido de construir condições fiscais sustentáveis, por meio da racionalização e contenção dos gastos públicos — e não pela elevação das receitas, como tem sido a prática recorrente da atual administração”, comenta Luiz Carlos Bohn, presidente do Sistema Fecomércio-RS.

Para Marcelo Bolzan, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital, o grande destaque certamente é que o comitê tem uma preocupação com o ambiente externo, dizendo que ele está mais adverso. No seu entendimento, o comitê tem acompanhado com grande atenção os anúncios referentes à imposição de tarifas comerciais para o Brasil, feito pelos Estados Unidos, e que nesse cenário ele reforça uma postura de cautela em função desse cenário de maior incerteza. “Então, é uma diferença importante em relação ao comunicado anterior e certamente aqui é um destaque. Então, os diretores do Banco Central estão olhando sim os possíveis impactos das tarifas de 50%, o que pode vir a influenciar em próximas decisões”, argumenta.

Apesar de a Selic ter ficado estacionada, a inflação ainda está acima da meta. “O nosso cenário é de queda de juros, só que só vai acontecer isso no próximo ano. Por enquanto fica claro que o comitê vai deixar esses juros elevados por um tempo prolongado até para entender os impactos na economia dos aumentos que já forem feitos, mas ele deixa claro que não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado, ou seja, ele pode sim subir juros em algum momento. Não é o nosso cenário base, mas ele deixa essa porta em aberto”, lembra Bolzan.

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