Inadimplência volta a crescer em janeiro, diz CDL POA

O Indicador de Inadimplência da CDL Porto Alegre registrou avanço entre as pessoas físicas em janeiro de 2026, de modo que o percentual voltou a crescer tanto no Rio Grande do Sul quanto em Porto Alegre, alcançando novos recordes históricos. Entre as pessoas jurídicas (PJ), o RS renovou a máxima da série, enquanto a Capital apresentou leve recuo, ainda que permaneça com patamar elevado.  

No caso das pessoas físicas, 36,07% dos adultos gaúchos estavam com restrição em crédito, cheque ou protesto em janeiro. Em Porto Alegre, o índice foi ainda maior, atingindo 37,09%. No confronto com dezembro de 2025, houve alta de 0,23 ponto percentual no RS e de 0,62 ponto na Capital — ambas as elevações mais do que compensaram as quedas registradas na leitura anterior e levaram as séries aos maiores níveis de todos os tempos.  

Em termos absolutos, conforme estimativas próprias da Assessoria Econômica da CDL POA fundamentadas no Censo 2022 do IBGE, são atualmente 3,093 milhões de CPFs negativados no RS e 398.703 em Porto Alegre, considerando a base da Equifax | Boa Vista.  

Já entre as pessoas jurídicas, o indicador do RS subiu pela sétima vez consecutiva, passando de 17,22% para 17,41% (+0,19 ponto percentual), estabelecendo nova máxima histórica. Em Porto Alegre, houve recuo de 0,18 ponto percentual, de 18,03% para 17,85%, mas o patamar segue como o segundo maior da série. As estimativas indicam 278.487 CNPJs negativados no RS e 46.259 na Capital.  

Segundo o economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank, o cenário macroeconômico segue desafiador e contribui para a deterioração dos indicadores: “Mesmo com a sinalização de início do ciclo de queda da Taxa Selic, os efeitos positivos sobre a inadimplência tendem a ocorrer com defasagem de nove a 12 meses até a materialização de seus efeitos plenos. Além disso, a expansão do crédito sem o devido planejamento financeiro, com destaque para o consignado privado e outras modalidades ainda mais caras, a perda de tração da atividade econômica nacional e o impacto das bets sobre o aumento do risco de crédito são vetores que preocupam”, afirma.  

Entre os fatores que podem evitar deterioração ainda maior, a Assessoria Econômica aponta três principais: as novas regras do Imposto de Renda Pessoa Física; a perspectiva de safra gaúcha mais próxima de um padrão normal, com impacto positivo sobre o PIB estadual; e o aquecimento do mercado de trabalho.  

Empresas acima da média nacional  

No caso das empresas, o economista ressalta que o ambiente também é complexo: “O Rio Grande do Sul apresenta a maior taxa de inadimplência PJ entre os estados e bem acima da média nacional (12,3%). Apesar do recuo recente do Índice de Preços no Atacado (IPA / FGV) no acumulado de 12 meses, setores intensivos em mão de obra enfrentam custos elevados com trabalho. Além disso, questões estruturais do RS, incluindo os desequilíbrios das finanças públicas e a demografia desfavorável, dificultam nosso crescimento e ajudam a explicar a trajetória dos indicadores”, destaca.  

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