O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro ficou estável em 49,7% no mês de janeiro. O resultado repete o já verificado em dezembro de 2025 e se aproxima do pico histórico da série foi atingido em julho de 2022, com 49,9%. Os dados foram divulgados pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira, dia 30. O comprometimento de renda das famílias com o Sistema Financeiro Nacional (SFN) subiu de 29,2% para 29,3%. Entretanto, desconsiderando os empréstimos imobiliários, passou de 26,9% para 27,1%.
O estoque das operações de crédito do SFN alcançou R$7,1 trilhões em fevereiro, assinalando crescimento mensal de 0,4%(+0,6% no crédito às famílias, estabilidade no crédito às empresas, com saldos respectivos de R$4,5 trilhões e R$2,7 trilhões). Em doze meses, o crédito apresentou menor ritmo de crescimento, com acréscimo de 9,6% ante 10,1% até janeiro deste ano. Na mesma base de comparação, variações de 7,1% ante 8,3%, no crédito às pessoas jurídicas, e de 11,2% ante 11,3%, no crédito às pessoas físicas.
O crédito com recursos livres cresceu 0,1% no mês e 7,7% em doze meses, totalizando R$4,1 trilhões. No crédito livre às empresas, o estoque de R$1,6 trilhão, diminuiu 0,3% no mês e avançou 0,9% em doze meses. Foram determinantes as reduções em desconto de duplicatas e outros recebíveis (-2,2%), antecipação de faturas de cartão de crédito (-1,5%) e de financiamento às exportações (-0,8%). No crédito às famílias, saldo de R$2,5 trilhões, com incrementos de 0,3% no mês e de 12,6% em dozes meses. No crédito às pessoas físicas, avanço disseminado entre as principais modalidades, com destaque para crédito consignado privado (+5,9%), aquisição de veículos (+1,3%), crédito pessoal não consignado (+1,2%) e crédito consignado para beneficiários do INSS (+1,5%). No cartão de crédito à vista, redução de 2,9%, influenciada pela ocorrência de três dias úteis a menos no mês em relação ao mês anterior.
O estoque de crédito direcionado alcançou R$3,1 trilhões em fevereiro, com incrementos de 0,8% no mês e de 12,2% em doze meses. O crédito direcionado às empresas alcançou R$1,1 trilhão, com altas de 0,6% no mês e de 17,7% em doze meses. Na mesma ordem, o crédito direcionado às famílias aumentou 0,9% e 9,5%, atingindo R$2,0 trilhões, com destaque para a expansão da carteira de financiamento imobiliário com taxas reguladas (+0,8%).
As concessões nominais somaram R$602,3 bilhões em fevereiro. Com ajuste sazonal, as novas contratações recuaram 0,5% no mês, com diminuição de 1,9% nas operações com pessoas jurídicas e aumento de 0,3% nas operações com pessoas físicas. No acumulado em doze meses até fevereiro de 2026, as concessões nominais cresceram 8,2%, sendo 8,1% no crédito às empresas e 8,3% no crédito às famílias. A taxa média de juros das concessões avançou 0,3 p.p. no mês e 2,6 p.p. em doze meses, situando-se em 33,0% a.a. O spread bancário alcançou 22,1 p.p., com acréscimo mensal de 0,5 p.p. e de 2,8 p.p. em doze meses.

