Endividamento das famílias gaúchas aponta recuo, aponta Fecomércio-RS

Foto: Crédito: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

O endividamento das famílias gaúchas apresentou um recuo em janeiro na comparação com igual período de 2025. Conforme os resultados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias (PEIC-RS), da Confederação Nacional do Comércio de Bens Serviços e Turismo (CNC), 84,9% das famílias estavam endividadas, percentual praticamente estável em relação a dezembro de 2025 (85,0%) e inferior ao observado no mesmo mês de 2025 (88,8%). Os dados foram coletados em Porto Alegre nos dez últimos dias de dezembro. A pesquisa considera apenas dívidas associadas à tomada de crédito — como cartão de crédito, financiamentos e empréstimos —, não incluindo contas de consumo, como água, energia elétrica ou telefonia.

O levantamento indica que o percentual de famílias com contas em atraso foi de 26,3% em em janeiro deste ano, registrando aumento em relação a dezembro do ano passado (25,4%), mas permanecendo abaixo do observado em janeiro do ano passado (32,2%). Quanto à inadimplência por faixa de renda, observa-se que a maior dificuldade de manter as contas em dia segue concentrada entre as famílias com renda de até 10 salários-mínimos, cujo percentual avançou de 31,6% em dezembro de 20225 para 32,2% em janeiro deste ano, ainda que inferior ao registrado em janeiro de 2025 (38,2%).

Já entre as famílias com renda superior a 10 salários-mínimos, o indicador também acelerou na margem, passando de 4,7% para 6,6% no mesmo período, mantendo-se, contudo, abaixo do observado em janeiro/25 (11,3%). Por fim, o percentual de famílias que declararam não ter condições de regularizar nenhuma parte das dívidas em atraso ficou em 1,4% em janeiro/26, após ter atingido 1,2% em dez/25 e inferior ao observado em janeiro/25 (2,5%).

“Os dados de janeiro apresentam avanço na margem da inadimplência, com aumento do tempo de atraso e novo aumento no comprometimento de renda das famílias. Esse quadro tende a pressionar o orçamento das famílias, sobretudo das mais vulneráveis, reduzindo o espaço para consumo e impondo desafios ao ambiente econômico. Vale notar, porém, que mesmo que a renda disponível cresça a partir do reajuste do salário-mínimo e da desoneração do IR para rendas até R$ 5.000,00 e possa favorecer a amenização da inadimplência e o aumento do consumo, as condições de custo e acesso a crédito seguirão limitadas diante do patamar de juros que deve vigorar em 2026.” avaliou Luiz Carlos Bohn, presidente do Sistema Fecomércio-RS/SESC/SENAC e IFEP.

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