Desonerações fiscais movimentaram R$ 1,7 bilhão na economia gaúcha

Foto: Crédito: José Cruz/Agência Brasil

Uma das principais frentes de apoio imediato à recuperação das empresas atingidas pelas enchentes de 2024, as desonerações fiscais concedidas pelo governo do estado movimentaram cerca de R$ 1,7 bilhão entre isenções, reduções de alíquota e manutenção de créditos de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

As informações estão em balanço inédito divulgado pelo governo do Estado, por meio da Secretaria da Fazenda (Sefaz), que detalha os valores, o número de empresas atendidas e o volume de operações vinculadas aos benefícios tributários. Somando todas as desonerações concedidas às empresas gaúchas, os incentivos chegaram a quase meio bilhão.

“Priorizando vidas, mas sem deixar de lado os demais impactos da catástrofe, o governo do Estado respondeu de forma muito rápida aos efeitos econômicos da enchente. As desonerações funcionaram como um remédio adicional para enfrentar os estragos provocados pela tragédia e contribuíram para que boa parte das empresas pudessem retomar sua atividade e preservar empregos”, avalia a secretária da Fazenda, Pricilla Santana.

CARGA TRIBUTÁRIA

Em valores, o não estorno de crédito do ICMS das mercadorias perdidas ou danificadas respondeu pelo maior volume, concedendo R$ 133 milhões em benefícios. A medida fez com que as empresas mantivessem o crédito do imposto que seria utilizado em comercializações futuras, o que resultou em redução da carga tributária e, em alguns casos, gerou saldos credores que podem ser transferidos.

Cerca de 880 empresas tiveram acesso à manutenção do crédito, a maior parte delas ligada ao setor de varejo e atacado, em especial super e hipermercados. O segmento industrial de alimentos, bebidas e químico, que foi duramente afetado pelas cheias, também recebeu uma fatia da desoneração. No total, a Receita Estadual contabilizou R$ 1,6 bilhões em perdas de estoques, valor muito acima da média histórica.

A segunda maior renúncia fiscal, no valor de R$ 113 milhões, incentivou a compra dos chamados ativos imobilizados, que incluem máquinas e equipamentos que compõem a estrutura produtiva das empresas. Para fomentar investimentos e ajudar na retomada produtiva, o governo Leite isentou o ICMS nas vendas dentro do Estado e a alíquota interestadual nas aquisições de fora do Rio Grande do Sul.

Segundo o balanço, o benefício atingiu 411 empresas de 80 municípios. O setor industrial foi o mais impactado pela medida, com maior concentração nas áreas de veículos automotores, cabines, carrocerias, caminhões e ônibus. A desoneração incentivou a aquisição de R$ 1,2 bilhão em maquinário dentro e fora do Estado. Em paralelo à isenção, o governo também concedeu crédito presumido (um tipo de desconto na apuração do ICMS) para a reposição de máquinas e equipamentos perdidos na catástrofe.

Encerrada em março deste ano, a isenção de ICMS para compra de ônibus e caminhões novos, voltada para empresas de transporte de cargas ou de passageiros afetadas pela enchente, gerou uma desoneração de R$ 40 milhões. No total, 334 empresas adquiriram mais de 900 veículos, movimentando R$ 392 milhões em vendas.

Devolve ICMS

Por se enquadrar como despesa orçamentária, o balanço não inclui o cashback do Programa Devolve ICMS Linha Branca, que restituiu o imposto estadual sobre a compra de eletrodomésticos para 138 mil pessoas atingidas pelas enchentes. A iniciativa devolveu mais de R$ 33 milhões aos beneficiários, o que corresponde a cerca de 148 mil itens comprados para reconstrução dos lares.

“Mesmo enfrentando dificuldades operacionais, com sistemas fora do ar devido às inundações, a Receita Estadual manteve seu papel de apoio aos contribuintes e à recuperação econômica do Rio Grande do Sul. Atuamos de forma focalizada para atender quem teve seu negócio afetado, sem abrir mão da responsabilidade fiscal”, salienta o subsecretário da Receita Estadual, Ricardo Neves Pereira.

Valores das desonerações

Tipo de desoneração Valor concedido em desoneração Valor movimentado nas operações envolvidas
Crédito presumido para reposição de ativo imobilizado R$ 3,1 milhões R$ 15,5 milhões
Isenção nas vendas internas e Difal na compra de ativo imobilizado R$ 113 milhões R$ 1,2 bilhão
Isenção na venda de ônibus e caminhões novos R$ 40 milhões R$ 392 milhões
Isenção para reconstrução do aeroportos R$ 2,3 milhões R$ 49,1 milhões
Não estorno de crédito de mercadorias perdidas R$ 133 milhões R$ 1,6 bilhão
(perdas de estoque)
Dispensa de ICMS sobre importações em drawback
Ampliação de prazos de pagamento de ICMS R$ 2,2 bilhões
(postergados)
Isenção em doações à Associação dos Bancos do RS R$ 530 mil R$ 5,2 milhões
Isenção em doações a entidades assistenciais R$ 1 milhão R$ 10,1 milhões
(doações)
Isenção em doações ao governo do Estado R$ 980 mil R$ 9,6 milhões
(doações)

Obs: linhas sem valor correspondem a desonerações sem impacto na movimentação econômica.
Fonte: Sefaz

Fique por dentro!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Compartilhe:

Deixe sua opnião:

Últimas Notícias

SIMECS apresenta feira dedicada à inovação e à competitividade industrial
Guaíba confirma instalação de megacomplexo logístico do Mercado Livre no município
Férias escolares: 5 lanches que as crianças conseguem montar quase sozinhas
Minueto® lança a nova linha Supremo, uma aposta em maior indulgência com mais recheio, mais camadas e sabores exclusivos em parceria com a Lugano® Chocolates
Santa Helena apresenta nova linha à base de vinho no Brasil
Brasil Cacau anuncia temporada Moça® Brigadeiro em seu segmento de sorveteria
Marca argentina de alfajores chega em Torres
Banrisul oferece carência de até seis meses no consignado estadual
Havan inaugura megaloja em Tramandaí no mês de agosto