Condições financeiras da indústria da construção pioram, revela CNI

Foto: Crédito: CNI/Divulgação

As condições financeiras da indústria da construção pioraram no 1º trimestre de 2026 em meio ao encarecimento das matérias-primas e aos juros altos, mostra a Sondagem Indústria da Construção, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), nesta terça-feira, 28.

O índice que mede a evolução do preço médio de insumos e matérias-primas aumentou 6,8 pontos em relação ao último trimestre do ano passado e atingiu 68,4 pontos, mostrando que, para os empresários, esses itens ficaram mais caros.

“A alta dos custos não é novidade. Isso é sentido pelo setor há algum tempo, principalmente por conta da mão de obra. Mas o início da guerra no Oriente Médio, que trouxe aumento nos preços dos combustíveis, agravou a situação”, explica Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.

Já o indicador que mede a facilidade de acesso ao crédito caiu 1,3 ponto entre o 4º trimestre de 2025 e o 1º trimestre de 2026, de 39 pontos para 37,7 pontos, mantendo-se distante da linha divisória de 50 pontos. O movimento indica que a obtenção de crédito segue bastante difícil para as empresas da construção, limitando a atividade do setor.

Segundo o levantamento, as margens de lucro das empresas também pioraram no período. O índice que mede a satisfação dos empresários com o lucro operacional dos próprios negócios caiu 3,8 pontos, passando de 45,1 pontos no 4º trimestre de 2025 para 41,3 pontos no 1º trimestre de 2026.

Com custos mais altos, margens apertadas e dificuldade para acessar crédito, os industriais da construção demonstraram maior insatisfação com as condições financeiras das empresas. Com isso, o índice que mede a satisfação com as finanças dos próprios negócios caiu 4,5 pontos, atingindo 45 pontos.

JUROS 

Os juros elevados assumiram a primeira posição do ranking de principais problemas enfrentados pela indústria da construção. O percentual de empresas que denunciaram o entrave saltou de 32,1% no 4º trimestre do ano passado para 34,9% no 1º trimestre deste ano. Em seguida, aparece a alta carga tributária, lembrada por 33,9% dos empresários, ante 37,2% no levantamento anterior. A falta ou alto custo da mão de obra não qualificada permaneceu no terceiro lugar do ranking, com 28,3% das menções; antes totalizavam 28,5%.

A falta ou alto custo de trabalhador qualificado e a demanda interna insuficiente fecham a lista dos cinco maiores entraves para a atividade do setor.

Em março, o índice de evolução da atividade da indústria da construção subiu pelo segundo mês consecutivo. O indicador cresceu 0,6 ponto e chegou aos 46,3 pontos. Apesar do resultado positivo, a atividade está no menor nível para o mês desde 2021, refletindo a perda de ritmo do setor. A Utilização da Capacidade Operacional (UCO) acompanhou o movimento; passou de 65% para 66%, mesmo patamar observado em março de 2025. O emprego, por outro lado, segue caindo. O índice de evolução do número de empregados na construção recuou de 47 pontos para 46,2 pontos.

EXPECTATIVAS

Em abril, os índices de expectativas para o número de empregados e para o lançamento de empreendimentos e serviços caíram 0,7 ponto. O primeiro passou para 48,8 pontos, enquanto o segundo foi para 49 pontos. Ambos continuam abaixo da linha de 50 pontos, sinalizando perspectiva de queda dos postos de trabalho e de novas unidades nos próximos seis meses.

Por outro lado, aumentaram as expectativas de nível de atividade e de compras de matérias-primas. A primeira subiu 0,6 ponto, atingindo 51,9 pontos. A segunda cresceu 1,2 ponto, chegando aos 51,5 pontos.

O índice de intenção de investimentos subiu de 42,1 pontos para 43,4 pontos. A melhora de 1,3 ponto, no entanto, não é suficiente para reverter a queda acumulada em fevereiro e março, de 2,5 pontos.

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