Com tarifas dos EUA, cai intenção do industrial gaúcho investir, aponta Fiergs

Foto: Crédito: Roberto Dziura Jr. / AEN

As tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros estão freando a intenção de investir da indústria gaúcha. De acordo com a Pesquisa Sondagem Industrial, divulgada pela Unidade de Estudos Econômicos do Sistema FIERGS nesta terça-feira, 2, o índice que mede a disposição dos industriais de investir nos próximos seis meses recuou de 59 pontos, em julho, para 54,6 em agosto. A pesquisa entrevistou 164 empresas, sendo 37 pequenas, 56 médias e 71 grandes entre os dias 1º e 12 de agosto.

As projeções dos empresários para a demanda e as exportações nos próximos seis meses também caíram de julho para agosto. O índice de demanda recuou de 53,6 para 49,4 pontos, enquanto o de exportações passou de 50,1 para 44,4 pontos – o menor nível desde junho de 2020. Diante da expectativa de menor atividade, as empresas planejam reduzir o quadro de empregados e as compras de insumos. O índice de número de empregados para os próximos seis meses caiu de 51 em julho para 47 pontos em agosto, e o de aquisição de matérias-primas, de 51,9 para 48,9 pontos.

Segundo o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, a ausência de perspectiva para uma solução diplomática do impasse econômico com os Estados Unidos aumenta a cautela dos industriais, impactando diretamente os investimentos e o emprego. “Enquanto não tivermos uma solução concreta para o problema, o cenário é de atenção entre os industriais gaúchos. O impacto da alta das tarifas não impacta só as empresas atingidas neste momento, mas causa incerteza para negócios no futuro”, ressaltou. O Rio Grande do Sul está entre os estados mais prejudicados pela taxação americana, com 85,7% dos embarques da indústria de transformação destinados aos Estados Unidos atingidos pela medida.

RESULTADOS DE JULHO

Apesar das quedas nas expectativas futuras em agosto, a produção da indústria do Rio Grande do Sul alcançou 51,1 pontos em julho, avanço considerado dentro da normalidade para o período em relação a junho. Os índices da pesquisa variam de zero a 100 pontos: valores acima de 50 indicam crescimento em comparação ao mês anterior, e abaixo desse patamar, retração. Já o emprego recuou em relação a junho, tendo o índice de número de empregados registrado 48,8 pontos em julho. Embora o resultado seja considerado normal para o mês, trata-se da segunda queda consecutiva. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) permaneceu estável em 70% em julho, na comparação com junho. Os empresários, porém, avaliaram o patamar como abaixo do usual, com o índice marcando 45,2 pontos. Ainda assim, a UCI ficou mais próxima do nível considerado usual (50 pontos) do que no mês anterior, quando registrou 43 pontos.

Os estoques de produtos finais aumentaram em julho frente a junho e se mantiveram acima do planejado, embora mais próximos do desejado pelas empresas. Tanto o índice de evolução mensal quanto o de estoques em relação ao planejado marcaram 51,1 pontos. Em ambos os casos, foi o quarto mês consecutivo acima de 50 pontos, mas no menor patamar desse período.

 

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