Com nova tarifa, 87,2% das exportações gaúchas aos EUA serão impactadas

Foto: Crédito: Freepik

O Sistema FIERGS vê com preocupação a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos, a partir das investigações da seção 301, sobre as exportações brasileiras. Com a nova medida, 87,2% das exportações do RS aos EUA vão sofrer com algum tipo de tarifa. A taxa, que entrou em vigor nesta sexta-feira (24), é adicional à tarifa de 25% anunciada na semana passada e deve afetar a competitividade de diversos setores, que passarão a enfrentar uma sobretaxação de 37,5%. Além disso, há tarifas previstas na Seção 232 para setores como aço e alumínio.

O presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, reforça que é urgente o governo federal intensificar as negociações com os EUA para reverter as medidas e detalhar pacotes de ajuda aos setores atingidos. “A indústria gaúcha será fortemente afetada pelas taxações, que podem chegar a 37,5%. Segmentos como calçados, madeira, tabaco, máquinas e equipamentos, produtos de metais sofrerão os impactos das medidas. São setores que empregam milhares de pessoas, fabricam produtos específicos para o mercado americano e geram riqueza no nosso estado. É essencial que a União continue tentando reverter a decisão e ofereça condições de auxílio para que as empresas enfrentem mais este momento difícil”, avalia.

As novas tarifas são o resultado de uma investigação realizada pelo Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR), sob o mecanismo da Seção 301. A investigação concluiu que 60 economias praticam concorrência desleal ao falhar na proibição e fiscalização de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como sanção, o governo norte-americano impôs uma tarifa adicional de 12,5% sobre todos os produtos importados de 41 economias – incluindo o Brasil –, que foram classificadas como omissas tanto na legislação quanto na aplicação de restrições legais. Além disso, definiu uma tarifa de 10% para 19 economias que possuem leis sobre o tema, mas segundo a percepção norte-americana, falham na fiscalização efetiva.

Com a nova decisão, o impacto da tarifa da Seção 301 dos EUA sobre as exportações gaúchas passa a ser de 50,4% das vendas (US$ 830,1 milhões) do Rio Grande do Sul ao mercado norte-americano. Desse montante, 92,7%, equivalente a US$ 769,6 milhões, serão afetados pelo efeito cumulativo das duas tarifas, resultando em uma sobretaxa de 37,5%. De modo geral, as listas de produtos isentos nas duas tarifas são semelhantes. Alguns setores que haviam sido aliviados pela tarifa de 25%, como couro, peles e pescados, agora serão onerados com a tarifa de 12,5%.

Outros produtos estão, ainda, sujeitos às tarifas setoriais sob a Seção 232, como aço, alumínio e seus derivados, que atingem 36,9% dos embarques do estado. Neste novo cenário, 87,2% das exportações do RS aos EUA estão sob impacto de taxação extra.

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