Analistas destacam preocupação com tarifaço dos EUA no comunicado do Copom

Foto: Crédito: Freepik

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, anunciada no final da tarde desta quarta-feira, 17, pela manutenção da taxa de juros em 15%, a mais alta desde julho de 2006, ou quase 20 anos veio claramente mais preocupada com o combate à inflação, até um pouco mais do que veio em julho, conforme analistas de mercado. Além de repetir que a Selic seguirá no patamar mais contracionista por um tempo prolongado, o Copom, desta vez, fez questão de falar que vai retomar o ciclo de alta se julgar necessário.

“Isso não tinha sido feito no último comunicado. Na minha visão, o comunicado vem com uma postura bem mais firme contra a inflação e reforça que não há espaço para cortes.  Como a decisão foi unânime, e já era esperado que não haveria redução, mas o recado foi muito mais duro que o esperado”, diz Gabriel Lago, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital.

O ponto que chamou a atenção do analista também foi a menção explícita às tarifas comerciais dos EUA contra o Brasil. Foi algo novo e mostra que há uma preocupação não apenas com a inflação interna, mas o que esse choque externo pode vir a pressionar o câmbio. “Na minha visão, o comunicado deixou claro que não vai ter redução na próxima e também pode sim vir a ter uma alta, caso o cenário tenha uma piora, uma desancoragem da inflação, principalmente na parte de serviços e câmbio”, comenta Lago.

DESANCORAGEM

Para Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg, o texto ficou muito parecido com o anterior, indicando a preocupação do BC em relação à desancoragem das expectativas e à resiliência do mercado de trabalho. O tom do texto seguiu indicando poucas chances de cortes de juros no curto prazo. “No geral, o documento veio muito alinhado com o que esperávamos e não muda nossa avaliação sobre o início dos cortes, que deverá começar apenas no 1T26”

Já na decisão sobre os juros nos Estados Unidos, do Federal Reserve, de redução de 0,25 ponto percentual na taxa de juros americana, chamou atenção o voto divergente favorável a um corte maior, de 0,50 ponto percentual, reforçando a sinalização de continuidade do ciclo de reduções. Para Eduardo Tellechea Cairoli, CEO e fundador da Privatto Multi Family Office, o movimento abre espaço para que novos cortes ocorram ainda em 2025, caso os indicadores de inflação e emprego se mantenham favoráveis dos EUA. A perspectiva da gestora é de até três reduções adicionais em 2026, o que tende a criar um ambiente mais favorável para ativos globais.

“Seguimos atentos às implicações desse ciclo de afrouxamento monetário para identificar oportunidades que tragam valor aos nossos clientes”, destaca Cairoli.

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