Assintecal repercute impactos do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros

Foto: Crédito: Divulgação

Os fornecedores de materiais e químicos para calçados e couros estão apreensivos com o impacto da sobretaxa de 50% para produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos. A ordem executiva foi assinada ontem, dia 30 de julho, pelo presidente Donald Trump, e vale para importações brasileiras que entrarem em solo norte-americano a partir do dia 6 de agosto. Segundo a superintendente da Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), Silvana Dilly, atualmente mais de 80% das vendas do segmento são para a indústria calçadista brasileira. Com mais de 3 mil empresas, o segmento fornecedor de materiais e químicos para calçados e couros emprega, diretamente, mais de 80 mil pessoas em todo o Brasil.

“O impacto indireto na atividade será bastante importante, pois atualmente mais de 20% das exportações da indústria calçadista brasileira tem como destino os Estados Unidos. Com essa indústria sobretaxada no principal mercado consumidor de calçados no mundo e perdendo competitividade, perdemos também. É um efeito negativo para toda a cadeia de surprimentos”, lamenta a executiva. Ainda ontem (30), a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) lançou uma nota repercutindo o caso, ressaltando que o setor tem muitas empresas cuja produção é integralmente enviada ao mercado externo, a maior parte para os Estados Unidos, e que essas empresas terão produtos muito mais caros do que os importados da China, por exemplo, que pagam uma sobretaxa de 30%. Segundo a Abicalçados, com a sobretaxa de 50% as exportações de calçados para os Estados Unidos devem ser “inviabilizadas”.

COURO

Os produtos químicos para couros também serão atingidos indiretamente, já que os curtumes respondem por mais de 60% das vendas do segmento. Conforme o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), os Estados Unidos têm sido, historicamente, um dos principais parceiros comerciais do Brasil no segmento. Em 2024, o país ocupou o segundo lugar entre os maiores importadores de couro brasileiro, com 13,3% de participação em valores. Em 2025, até junho, o país se manteve na vice-liderança, com 13,6%. Ainda conforme a entidade, “a nova tarifa deve gerar impactos negativos em pedidos, fluxos produtivos e empregos, colocando em risco não apenas o setor curtidor, mas também toda a cadeia envolvida”.

Embora os Estados Unidos não se configurem como um destino direto majoritário para os componentes e químicos brasileiros do setor coureiro-calçadista, a Assintecal destaca o desempenho das exportações para este mercado no primeiro semestre de 2025. Até junho deste ano, o Brasil exportou diretamente US$ 2,7 milhões em componentes e químicos para couro aos Estados Unidos, representando um crescimento expressivo de 30% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Este aumento reflete a qualidade e a competitividade dos produtos brasileiros, mesmo diante de um ambiente internacional desafiador e sinaliza que embora o impacto seja menor, empresas de componentes e químicos também serão atingidas diretamente em sua rede de abastecimento para o mercado estadunidense. 

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