Um percentual de 87,2% das famílias gaúchas estavam endividadas, percentual que permaneceu estável em relação a agosto de 2026 (87,2%) e acima do observado em setembro de 2025 (84,1%). Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 4, pela Fecomércio-RS na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias (PEIC-RS), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, referentes a setembro de 2026.
Entre os entrevistados, a parcela de famílias que consideram sua situação como “muito endividada” apresentou novo recuo na margem, passando de 15,1% em agosto de 2026 para 14,7% em setembro de 2026, ficando também abaixo do patamar observado em setembro de 2025 (17,2%). Os dados foram coletados em Porto Alegre nos dez últimos dias de agosto. A pesquisa considera apenas dívidas associadas à tomada de crédito, não incluindo contas de consumo, como água, energia elétrica ou telefonia.
Quanto ao percentual de famílias com contas em atraso, a PEIC-RS identificou a quarta queda consecutiva do indicador, que recuou de 23,5% em agosto de 2026 para 22,4% em setembro de 2026. O movimento foi puxado pelas famílias com renda de até 10 salários mínimos (SM), cujo percentual passou de 28,5% para 26,8%, enquanto, entre aquelas com renda superior a 10 SM, o indicador avançou de 6,6% para 7,5%. O percentual de famílias que declararam não ter condições de regularizar nenhuma parte das dívidas em atraso também recuou, passando de 1,6% em agosto de 2026 para 1,5% em setembro de 2026.
Entre as famílias com renda de até 10 SM, a parcela caiu de 2,5% para 2,3%, enquanto permaneceu em 0,0% entre aquelas com renda superior a 10 SM. Por outro lado, o tempo médio de atraso das contas aumentou de 32,9 para 33,7 dias, enquanto o comprometimento médio da renda com dívidas apresentou leve recuo, de 29,8% para 29,7%.
“O endividamento permaneceu em patamar elevado em setembro, mas os indicadores de inadimplência e de famílias sem condições de pagar as contas atrasadas continuaram recuando, sinalizando alguma melhora na capacidade de pagamento. Ainda assim, o comprometimento da renda segue alto, o que acaba dificultando o orçamento das famílias e reduzindo a margem disponível para absorver novas despesas, cenário que reforça a necessidade de cautela na gestão financeira”, avaliou Luiz Carlos Bohn, presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP.

