Os últimos dados do IAV-IDV (Índice Antecedente de Vendas do Instituto para Desenvolvimento do Varejo) ajustados pelo IPCA apontam queda de 2,2% em outubro, 2,7% em novembro e 3,9% em dezembro. Em setembro, houve queda de 3,3% em relação ao mesmo mês de 2025. Já o IAV-IDV nominal, que considera a participação das atividades no volume total de vendas do comércio varejista medido pelo IBGE, apresenta previsão de crescimento de 2,6% em outubro, 2,3% em novembro e 1,3% em dezembro, sempre em relação aos mesmos meses do ano anterior. Em setembro, houve alta de 1,3%.
“Setembro mostrou crescimento nominal do IAV, mas com recuperação desigual entre setores. Categorias essenciais, especialmente farmacêuticos e alimentos, continuam mais resilientes, enquanto o consumo discricionário ainda sente as condições de crédito. Não houve melhora nos setores de móveis/eletrodomésticos e vestuário frente à variação do mesmo mês do ano passado, e a queda deve ser interpretada com cautela diante do momento de vantagem tributária dos concorrentes asiáticos, ainda não corrigida pelo governo. Black Friday e Natal passam a ser os principais vetores para os próximos meses”, explica Jorge Gonçalves Filho, presidente do IDV.
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2% no segundo trimestre de 2026, frente ao mesmo período de 2025, segundo o IBGE. Comparando anualmente o crescimento do segundo trimestre de 2026 sob a ótica da oferta, o aumento foi puxado pela agropecuária (6,8%), seguido por serviços e indústria (ambos com 1,5%). Já pelo lado da demanda, a despesa de consumo das famílias registrou alta de 0,5%, porém, queda de 0,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior. A despesa de consumo do governo também apresentou elevação em relação ao primeiro trimestre de 2025 (3,1%). Os investimentos aumentaram 1,4% no segundo trimestre de 2026 na comparação anual, puxados pela importação de bens de capital e de desenvolvimento de software. Para 2026, o Boletim Focus prevê um crescimento de 1,85% do PIB, isto é, uma desaceleração com relação à taxa de 2025 e aos boletins anteriores.
PREÇOS
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo de outubro cresceu 0,32%. No acumulado em 12 meses, o IPCA registrou alta de 4,62%, acima do teto da meta). Na reunião de setembro, o Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,00% para 13,75% ao ano, em decisão unânime, porém com comunicação cautelosa. O valor atual representa uma queda de 1,25 p.p desde o ápice dos últimos dois anos, que perdurou de junho de 2025 a fevereiro de 2026.
A taxa atual leva a Selic ao menor nível desde março de 2025. “Em sua ata, o Copom afirma que a política monetária está contribuindo de forma determinante para a desinflação, porém, a inflação ainda permanece pressionada pela demanda. Menciona ainda que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada conforme a evolução do cenário. Ou seja, comunica que há espaço para cortes, mas que quer fazê-los de maneira gradual e condicionada à continuidade da desinflação”, porém, temos agora que aguardar a nova política econômica a ser adotada na próxima gestão do presidente Lula para estimamos o comportamento dos juros, comenta Jorge Gonçalves Filho.
O Indice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado pela FGV, recuou 0,5 ponto em setembro, para 84,2 pontos, registrando a quinta queda consecutiva e atingindo o menor nível desde novembro de 2022. O resultado refletiu movimentos distintos entre seus componentes: o Indice de Expectativas (IE) caiu 0,9 ponto, para 85,2 pontos, enquanto o Índice de Situação Atual (ISA) avançou 0,2 ponto, para 84,0 pontos. A deterioração da confiança no mês foi, portanto, concentrada nas expectativas, em um ambiente ainda marcado por elevado endividamento e inadimplência das famílias.
As projeções são feitas a partir dos dados individuais que cada associado do IDV informa em relação à sua expectativa de faturamento para os próximos três meses. Esse conjunto de empresas que compõem o índice possui representantes em todos os setores do varejo e corresponde a, aproximadamente, 20% das vendas no varejo brasileiro.
SETORIAL
No setor de hipermercados e supermercados, setembro teve alta de 2,2% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo do previsto no mês anterior. Para outubro e novembro, a previsão é de alta de 1,5% e 0,4%, respectivamente. Já para dezembro, a projeção é de leve queda de 0,4%. No setor de atacado, setembro teve leve alta de 0,2% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo do previsto no mês anterior. Para outubro, novembro e dezembro, a previsão é de alta de 3,4%, 3,4% e 3,8%, respectivamente. No setor de material de construção, setembro teve queda de 1,5% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo do previsto no mês anterior. Para outubro, novembro e dezembro, a previsão é de alta de 3,1%, 8,9% e 5,3%, respectivamente.
No setor de outros artigos de uso pessoal e doméstico, setembro teve alta de 2,2% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo do previsto no mês anterior. Para outubro, novembro e dezembro, a previsão é de alta de 7,8%, 5,9% e 4,3%, respectivamente. No setor de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, perfumaria e cosméticos, setembro teve alta de 6,0% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo do previsto no mês anterior. Para outubro, novembro e dezembro, a previsão é de alta de 8,3%, 7,3% e 5,5%, respectivamente.
No setor de móveis e eletrodomésticos, setembro teve alta de 1,8% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo do previsto no mês anterior. Para outubro, novembro e dezembro, a previsão é de alta de 7,0%, 2,4% e 1,5%, respectivamente. No setor de tecidos, vestuário e alçados, setembro teve alta de 0,7% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo do previsto no mês anterior. Para outubro e novembro, a previsão é de alta de 6,0% e 5,1%, respectivamente. Já para dezembro, a projeção é de queda de 1,5%.

