O Colégio Anchieta, de Porto Alegre, vai investir R$ 18 milhões na requalificação do conjunto arquitetônico que abriga o Auditório e o Museu Anchieta de Ciências Naturais. Com cerca de 3 mil alunos, a instituição inicia em dezembro as obras do projeto de retrofit, que combina intervenções estruturais, modernização tecnológica, acessibilidade, segurança e atualização dos ambientes, com prazo estimado de conclusão entre 12 e 14 meses.
Para além de uma reforma predial, a iniciativa busca preparar esses espaços para as próximas décadas, em um campus de 12 hectares, localizado no bairro Três Figueiras, na zona Leste de Porto Alegre. O Auditório é um dos principais pontos de encontro da comunidade escolar, utilizado para atividades pedagógicas, apresentações artísticas, eventos culturais, formações e celebrações. Já o Museu Anchieta preserva parte importante da trajetória científica da instituição, com um acervo cuja origem remonta a 1908.
“O projeto foi pensado para recuperar e, ao mesmo tempo, preparar o prédio para um novo ciclo de uso. Estamos intervindo na estrutura, nos sistemas prediais, na acessibilidade, na acústica, na segurança e na tecnologia, buscando uma solução que tenha qualidade arquitetônica, eficiência e durabilidade”, explica o arquiteto Claudio Strüssmann, que coordena os trabalhos.
Auditório ganha espaço, tecnologia e acessibilidade
Instalado no prédio C, o novo Auditório terá 1.170 m², sendo 830 m² destinados à área do palco e da plateia e outros 340 m² para o foyer. A intervenção incorpora ao espaço uma área do antigo cineminha, atualmente sem uso, permitindo a remoção de pilares centrais e a transferência do palco para esse setor.
Com a nova configuração, a capacidade de público passará de 450 para 600 lugares. As laterais do palco receberão camarins, enquanto o ambiente será renovado com iluminação cênica, tratamento acústico, novos sistemas de projeção, sonorização e climatização central. Haverá a troca dos revestimentos das paredes, do piso e do teto por materiais isolantes, com o objetivo de aprimorar a acústica. Os equipamentos de áudio, vídeo, iluminação e projeção também integram os investimentos em tecnologia previstos para instalação após a conclusão da obra.
O foyer funcionará como uma área de transição entre o exterior e o auditório, reunindo recepção, circulação, sanitários e recursos de acessibilidade, incluindo a implantação de uma plataforma elevatória. O projeto ainda prevê passarelas sobre as treliças para facilitar a manutenção dos sistemas de climatização e dos equipamentos de prevenção e combate a incêndio.
Também no prédio C, o Museu Anchieta de Ciências Naturais ocupará uma área de 585 m², incorporando o espaço de um antigo jardim interno. A proposta prevê uma nova leitura arquitetônica e museográfica, com ambientes organizados por diferentes temáticas, como sistema planetário, fósseis, aves e insetos. Painéis móveis permitirão alterar a configuração das salas conforme as atividades e projetos desenvolvidos, bem como recursos interativos, como QR codes, para complementar a exposição.
TELHADO
A estrutura do telhado será substituída por uma solução metálica com telhas térmicas e acústicas. O museu também receberá iluminação em LED e sistemas modernos de controle de umidade e temperatura para conservação do acervo. Haverá uma sala de aula exclusiva, com acesso direto para os estudantes. A configuração permitirá que as turmas circulem de forma independente, sem interferir nas demais áreas de visitação.
O espaço abriga um dos mais relevantes museus escolares da América Latina. São cerca de 130 mil insetos catalogados e 118 mil aracnídeos, entre aranhas, escorpiões, opiliões e carrapatos. A coleção reúne ainda aproximadamente 12 mil peixes provenientes do Brasil, Uruguai e Argentina, além de répteis, anfíbios, aves e mamíferos taxidermizados, fósseis de vertebrados, invertebrados e vegetais, conchas e amostras de minerais e rochas coletadas no Brasil e no exterior.
Entre as peças de valor histórico preservadas pelo museu está uma carta escrita pelo físico alemão Albert Einstein há 75 anos. Datado de 24 de junho de 1951, o documento foi datilografado e assinado à mão pelo cientista e contém uma mensagem dirigida aos alunos do Colégio Anchieta. A correspondência foi trazida a Porto Alegre pelo então diretor da instituição, padre Gaspar Dutra, que estava nos Estados Unidos para uma temporada de estudos e, naquele dia, encontrou-se com Einstein na Universidade de Princeton, em Nova Jersey. A carta chegou ao Brasil acompanhada de uma fotografia exclusiva, feita pelo fotógrafo Marcel Sternberger. Atualmente, réplicas das duas relíquias estão expostas no museu, dentro de uma redoma de vidro.

