A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em reduzir em 0,25 ponto percentual a taxa de juros brasileira, para 13,75% já era esperada. Conforme o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, assim como ocorreu na reunião anterior, muitos dos condicionantes que norteiam a definição da taxa Selic apresentaram melhora. Segundo ele, a inflação voltou a surpreender positivamente e, apesar da alta da difusão, esta permanece abaixo de níveis preocupantes.
“O câmbio manteve-se relativamente estável, mesmo diante das turbulências externas, e os indicadores relacionados ao mercado de trabalho e à atividade econômica continuam apontando para uma desaceleração. Ainda que persista a desancoragem das expectativas de inflação, especialmente nos horizontes mais longos, e que a instabilidade do cenário internacional tenha se intensificado recentemente, é indiscutível que a redução da taxa de juros representa algum alívio para empresas e famílias. Mas, como sempre ressaltamos, enquanto não endereçarmos medidas críveis de ajuste fiscal, estaremos presos a uma armadilha que nos condena a conviver com juros estruturalmente elevados”, diz.
Já para Augusto Parente, especialista em investimentos e fundador da AW Capital, o Banco Central manteve um tom cauteloso aguardando algumas definições quanto aos choques de oferta do petróleo e seus derivados decorrente do conflito no Oriente Médio. Apesar disso, o BC reafirma que a economia vem desacelerando mais rápido do que o que foi projetado.
“Claro que, para as próximas reuniões, os dados de IBC-Br e IPCA serão muito importantes para entender o quanto podemos cortar ainda, porém, acredito que o mercado irá começar a projetar uma Selic um pouco menor do que os 13,75% de hoje”, diz.

