O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), divulgado pelo Banco Central do Brasil (BC) nesta quarta-feira (16), recuou pelo segundo mês seguido em julho, iniciando o terceiro trimestre com retração maior do que a esperada. O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), considerado um sinalizador do PIB (Produto Interno Bruto), teve em julho queda de 0,2%, depois de ter contraído 0,8% em junho, mostraram dados dessazonalizados.
O BC revisou para baixo o dado de junho, depois de ter informado queda de 0,6% anteriormente. A leitura de julho foi mais fraca do que a expectativa de retração de 0,10%, segundo pesquisa da Reuters. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 1,1%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um ganho de 1,5%, de acordo com números não dessazonalizados. O PIB teve, no segundo trimestre, crescimento de 0,5%, desacelerando ante os três meses anteriores diante da retração do consumo das famílias e da perda de dinamismo da indústria, de acordo com dados do IBGE divulgados no início deste mês.
Uma desaceleração gradual da economia já era esperada, em meio a uma política monetária ainda restritiva, incertezas no cenário externo e com a eleição presidencial em outubro. Analistas esperam mais enfraquecimento econômico ao longo do segundo semestre. A Selic está atualmente em 14% por ano, e o BC anuncia nesta quarta-feira sua decisão de política monetária, com expectativa de novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros.
Os dados do BC mostram fraqueza generalizada em julho, com queda de 1,2% na agropecuária, recuo de 0,4% da indústria e estagnação de serviços. Excluindo a agropecuária, o IBC-Br ainda teria retração de 0,1%. Número do IBGE apontou que, em julho, a produção industrial no Brasil voltou a registrar crescimento, de 0,20% sobre o mês anterior, depois de dois meses de perdas.
Já o volume de serviços ficou estável no período e iniciou o terceiro trimestre com um desempenho abaixo do esperado. Por outro lado, as vendas varejistas caíram mais do que o esperado, 0,8% em julho. A mais recente pesquisa Focus realizada pelo Banco Central mostrou que a expectativa do mercado para a expansão do PIB em 2026 é de 1,89%, indo a 1,45% em 2027. O IBC-Br é construído com base em proxies representativas dos índices de volume da produção da agropecuária, da indústria e do setor de serviços, além do índice de volume dos impostos sobre a produção.
(*) com R7

