Brasil registra 73,71 milhões de consumidores inadimplentes em agosto, aponta CNDL e SPC Brasil

Foto: Crédito: Marcos Santos / USP Imagens / CP

O Brasil registrou em agosto de 2026, 73,71 milhões de brasileiros com contas em atraso. O dado faz parte do Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil. Este volume representa 43,90% da população adulta brasileira. A variação anual observada em agosto deste ano ficou abaixo da observada no mês anterior. Na passagem de julho para agosto, o número de devedores caiu ‐1,89%. O crescimento do indicador anual se concentrou no aumento de inclusões de devedores com tempo de inadimplência de 4 a 5 anos (37,73%).

“A inadimplência no Brasil atingiu um patamar crítico porque deixou de ser um desvio pontual de consumo e virou mecanismo de sobrevivência. Quando a família precisa contratar crédito para pagar despesas básicas do mês, ela entra em uma espiral perigosa: o atraso deteriora a pontuação de crédito, encarece os juros e restringe o acesso ao mercado formal. O consumidor fica encurralado entre linhas emergenciais muito caras e a perda total de liquidez, um quadro grave que medidas paliativas de renegociação não resolvem sem reformas estruturais de renda e custo do crédito.”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.

A maior concentração de devedores está entre 30 e 39 anos, somando 17,95 milhões de pessoas. Isso significa que mais da metade (52,97%) da população nesta faixa etária está negativada. A participação dos devedores por sexo segue bem distribuída, sendo 51,42% mulheres e 48,58% homens.

Brasil registra 73,71 milhões de consumidores inadimplentes em agosto, aponta CNDL e SPC Brasil

Observando os resultados por região, o Sul apresentou a alta mais expressiva no número de inadimplentes na comparação anual, com crescimento de 8,32%, seguido pelo Norte (6,38%), Centro‐Oeste (5,06%), Nordeste (2,98%) e Sudeste (2,95%).

Em agosto de 2026, cada inadimplente devia, em média, R$ 5.190,28. Além disso, cada devedor possui dívidas com cerca de 2,34 empresas credoras. Os dados ainda mostram que quase três em cada dez consumidores (28,77%) tinham dívidas de valor de até R$ 500, percentual que chega a 40,97% quando se fala de dívidas de até R$ 1.000.

“O ciclo de inadimplência enfrentado pelo brasileiro expõe uma falha estrutural profunda: a renda média não acompanha o custo de vida, forçando a tomada de dívida para cobrir o custeio diário. O resultado é um estrangulamento imediato, já que o próprio histórico de inadimplência encarece as opções e torna novas concessões quase inviáveis para quem mais precisa. Superar esse cenário exige ir além de programas pontuais de alívio fiscal; demanda medidas macroeconômicas de fomento ao emprego formal, queda sustentada do custo do crédito e educação financeira aplicada no dia a dia.”, destaca o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.

Em agosto de 2026, o número de dívidas em atraso no Brasil teve crescimento de 10,28% em relação ao mesmo período de 2025. O dado observado em agosto deste ano ficou acima da variação anual observada no mês anterior.

Na passagem de julho para agosto, o número de dívidas apresentou recuo de ‐2,04%.

Abrindo a evolução do número de dívidas por setor credor, destacou‐se a evolução das dívidas com o setor de Comunicação com crescimento de 14,94%, seguido de Água e Luz (9,15%) e Bancos (9,08%) Em outra direção, as dívidas com o setor credor de Comércio (‐1,78%) apresentaram queda no total de dívidas em atraso. Em termos de participação, o setor credor que concentra a maior parte das dívidas é o de Bancos, com 65,80% do total. Na sequência, aparece Água e Luz (10,04%), o setor de Outros com 9,86% e Comércio com 8,32% do total de dívidas.

Na abertura por região em relação ao número de dívidas, a maior alta veio da região Sul (14,62%), seguida pelo Norte (12,62%), Centro‐Oeste (10,10%), Sudeste (8,32%) e Nordeste (7,82%). Em termos regionais, o maior percentual de inadimplentes está na região Norte, onde 48,03% da população adulta está incluída em cadastros de devedores. Por outro lado, na região Sul, a proporção de negativados equivale a 39,90% da população adulta.

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