Petróleo sobe mais de 4% por conflito entre EUA e Irã e ameaça de fechamento do mar Vermelho

Foto: Crédito: André Ribeiro/Agência Petrobras

Os preços do petróleo subiram mais de 4% nesta sexta-feira (17), para o maior valor em mais de um mês, depois que os EUA e o Irã intensificaram os ataques no golfo Pérsico, com o transporte marítimo ameaçado por um possível fechamento do mar Vermelho, além das restrições ao tráfego pelo estreito de Ormuz.

Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam em alta de US$ 3,87 (cerca de R$ 19,85) por barril, ou 4,59%, para US$ 88,10 o barril. Os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI) dos EUA terminaram em alta de US$3,54, ou 4,48%, US$ 82,49.

Ambos os índices de referência subiram cerca de 16% nesta semana, com o Brent a caminho de seu terceiro ganho semanal consecutivo e o WTI prestes a registrar o segundo. Os dois adversários intensificaram os combates na sexta-feira: os EUA atacaram pontes e um aeroporto no Irã, enquanto Teerã atingiu uma usina de energia e uma instalação de dessalinização no Kuwait.

O Irã afirmou ter realizado novos ataques contra instalações dos EUA no Oriente Médio — incluindo a primeira ofensiva direta na Síria — após a sexta noite consecutiva de ataques americanos a instalações militares iranianas. “O mercado está reagindo à escalada das hostilidades entre o Irã e os Estados Unidos, que culminou nesta semana com ataques noturnos à infraestrutura iraniana e retaliações do Irã contra a infraestrutura de seus vizinhos”, disse Andrew Lipow, presidente da Lipow Oil Associates.

“Se mais navios-tanque forem atingidos e sofrerem danos, veremos os preços do petróleo continuarem a subir, à medida que os armadores simplesmente se recusarem a entrar no golfo Pérsico.”

A quebra da trégua entre os EUA e o Irã resultou em uma queda nos fluxos de petróleo que saem do estreito. O Irã, por sua vez, pressionou o movimento houthi a fechar a rota do mar Vermelho caso os EUA ataquem a infraestrutura energética iraniana.

TRÂNSITO

O tráfego pelo mar Vermelho aumentou significativamente desde o início da guerra no Irã devido ao redirecionamento das exportações de petróleo sauditas para longe de Ormuz, escreveram analistas do Commerzbank. “Dado que grande parte das exportações da Arábia Saudita foi redirecionada para o porto de Yanbu, via oleoduto Leste-Oeste, para evitar o estreito de Ormuz, qualquer desdobramento desse tipo representa, de fato, uma ameaça”, escreveu em nota Tamas Varga, analista da PVM Oil Associates.

A Arábia Saudita desviou mais de 70% de suas exportações diárias habituais de petróleo para o porto de Yanbu, no mar Vermelho, desde o início da guerra. Os embarques a partir de Yanbu registraram uma média de 4 milhões de barris por dia nas últimas semanas, um aumento em relação aos cerca de 973 mil barris diários observados no mesmo período do ano passado.

O Ministério da Defesa do Catar informou que suas forças armadas frustraram um ataque com mísseis do Irã na madrugada de sexta-feira, e o Ministério do Interior relatou que uma criança ficou ferida por estilhaços resultantes das operações de interceptação. Em outra zona de conflito, as Forças Armadas da Ucrânia comunicaram ter atingido uma refinaria de petróleo russa na região de Yaroslavl na quinta-feira.

(*) com R7

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