A intenção de consumo das famílias gaúchas registrou 41,1 pontos em maio, com queda de 1,5% em relação a abril e retração de 25,7% na comparação interanual, renovando a mínima histórica do indicador. Com esse resultado, o indicador acumula quinze quedas consecutivas, renovando sua mínima histórica (início em janeiro de 2010). Os dados da pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias Gaúchas (ICF-RS) foram divulgados pela Fecomércio-RS nesta terça-feira, 30.
O levantamento, realizado em Porto Alegre ao longo dos dez dias que antecedem o mês de referência, é conduzido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O ICF e seus componentes variam de 0 a 200 pontos, sendo que resultados abaixo de 100 pontos indicam percepção média pessimista dos consumidores, que se intensifica quanto mais próximo de zero se encontra o indicador.
O resultado reforça a trajetória recente de deterioração da confiança das famílias, com quatro dos seus sete componentes apresentando retração no mês, com destaque para Acesso ao Crédito (-6,1%, para 56,4 pontos), Perspectiva de Consumo (-3,6%, para 43,3 pontos), Nível de Consumo Atual (-2,2%, para 31,8 pontos) e Situação Atual do Emprego (-1,8%, para 62,5 pontos). Em sentido oposto, três indicadores avançaram na margem: Momento para Consumo de Bens Duráveis (8,8%, para 5,5 pontos), Perspectiva Profissional (2,5%, para 8,0 pontos) – ambos sobre patamares mínimos – e Avaliação da Renda Atual (2,4%, para 79,9 pontos). Apesar dessas altas pontuais, todos os componentes permaneceram abaixo dos 100 pontos e em patamares inferiores aos observados no mesmo período do ano anterior, reforçando a percepção de pessimismo das famílias gaúchas.
“Mesmo que o emprego siga resiliente e os rendimentos das famílias em patamares historicamente altos, o peso dos juros elevados fica evidente não apenas na restrição do crédito, mas no peso das dívidas sobre o orçamento das famílias. O varejo segue em acomodação, e os resultados do ICF-RS reforçam o quadro desafiador às vendas. Consumidor cauteloso, disputa pelo orçamento das famílias, concorrência internacional – além da conjuntura – são barreiras que precisam ser enfrentadas pelos empresários hoje, com estratégia”, avaliou Luiz Carlos Bohn, presidente da Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP.

