Brasil tem 13,9 milhões de jovens trabalhando, mas a maioria não fica um ano na mesma vaga

O Brasil alcançou a marca histórica de 13,9 milhões de jovens ocupados no primeiro trimestre de 2026, superando em 569 mil pessoas o nível registrado antes da pandemia de Covid-19. Embora o número de jovens empregados tenha atingido um patamar recorde, um estudo mostra que o principal desafio deixou de ser apenas a criação de vagas e passou a ser a permanência nesses postos de trabalho. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 25, pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), no Diagnóstico da Juventude Brasileira. O levantamento traça um retrato do mercado de trabalho para a população entre 14 e 24 anos.

Entre os adolescentes trabalhadores de 14 a 17 anos, 52% permanecem menos de um ano na mesma empresa. Entre os jovens de 18 a 24 anos, o percentual chega a 38,2%, indicando um cenário de alta rotatividade justamente entre a parcela mais jovem da força de trabalho brasileira. O levantamento também mostra avanços na formalização do trabalho juvenil. Atualmente, 57,8% dos jovens ocupados possuem vínculo formal de trabalho, o equivalente a quase seis em cada dez trabalhadores da faixa etária.

Ao todo, o país contabiliza aproximadamente 8 milhões de vínculos formais entre pessoas de 14 a 24 anos, dentro de um universo próximo de 60 milhões de empregos formais no Brasil.

Apesar do avanço, a informalidade ainda representa uma realidade para cerca de quatro em cada dez jovens ocupados, especialmente entre aqueles com menor escolaridade e residentes das regiões Norte e Nordeste. Os dados indicam ainda que os jovens seguem impulsionando a geração de empregos formais no país. Em maio de 2025, das 148.992 vagas criadas no Brasil, 98.003 foram ocupadas por trabalhadores entre 18 e 24 anos, o equivalente a aproximadamente 66% do total.

ROTATIVIDADE

Para Walter Flores, CEO da Flit, empresa de recursos humanos, o aumento da ocupação entre os jovens não significa necessariamente maior estabilidade no mercado de trabalho. Segundo ele, a concentração das contratações em setores como comércio, serviços e atividades administrativas ajuda a explicar o cenário.

“Essa concentração ocorre principalmente em setores como comércio, serviços e atividades administrativas, áreas que tradicionalmente apresentam maior rotatividade, salários mais baixos e forte presença de cargos de entrada”, diz.

Flores destaca ainda que os jovens têm adotado uma postura mais ativa em relação às próprias carreiras e se mostram mais dispostos a trocar de emprego em busca de melhores condições. “Isso quer dizer, na prática, que os jovens estão mais informados dos seus direitos e menos presos a empregos que não os agradam.”

Na avaliação do especialista, a elevada rotatividade é resultado da combinação entre fatores comportamentais e estruturais do mercado de trabalho.

“Acredito que a rotatividade não é apenas uma característica comportamental dos jovens. É bem mais complexo que isso. Seria uma combinação entre a busca legítima por melhores oportunidades e a falta de as empresas oferecerem trajetórias de carreira mais atrativas, remuneração competitiva e ambientes de trabalho capazes de reter talentos em início de carreira”, finaliza.

(*) com R7

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