No dia 14 de maio, teve início o encontro entre o presidente Trump e o presidente Xi Jinping, marcando o início de um “degelo diplomático”. Uma negociação que reduza o grau de instabilidade trazida pelas tensões entre as duas potências é fator positivo para o comércio mundial. Para o Brasil, permanece o tema de eventuais concessões da China aos Estados Unidos, com compromissos de aumento das compras de soja, especialmente nos moldes do que foi tentado no governo Trump 1.0, mas não avançou. Os Estados Unidos não conseguem suprir toda a demanda chinesa, mas esse movimento pode eventualmente impactar negativamente as vendas brasileiras de soja para a China.
A guerra do Irã, além dos reflexos no mercado de petróleo mundial e no Brasil, tende a afetar as vendas brasileiras para a região, em especial de carnes de frango e bovina e de milho, além das compras de adubos, fertilizantes e óleos combustíveis. Na comparação do acumulado do ano até abril, as exportações aumentaram 2,3% e as importações, 11,6%. Na comparação entre os meses de abril de 2025 e 2026, as exportações recuaram 3,5% e as importações, 1,0%. Nos próximos meses, os resultados mostrarão qual tendência deverá prevalecer, a depender do cenário do conflito na região.
BALANÇA COMERCIAL
O saldo da balança comercial de abril foi de US$ 10,5 bilhões, fazendo com que o superávit acumulado no ano até abril chegasse a US$ 24,8 bilhões, valor US$ 7,5 bilhões superior ao de igual período de 2025. Entre os principais parceiros, registraram melhora no saldo comercial com a China, com ganho de US$ 7,3 bilhões, e a União Europeia, com ganho de US$ 1,4 bilhão. O superávit com a China, de US$ 11,6 bilhões, representa 47% do superávit total da balança de janeiro a abril. Os Estados Unidos registraram aumento do déficit, de US$ 1,0 bilhão para US$ 1,4 bilhão, enquanto, no caso da Argentina, o superávit recuou de US$ 1,9 bilhão para US$ 815 milhões.
Na comparação interanual do acumulado do ano até abril de 2025 e 2026, o aumento de 19,9% do volume exportado para a China lidera o quadro de desempenho. Chama atenção a queda de exportações para Argentina, enquanto para o resto do continente as exportações aumentaram em 12,9%. Nos países com maior participação nas exportações brasileiras para a América do Sul — Chile (1,80%), Peru (1,02%) e Colômbia (1,11%) —, as vendas aumentaram em valor, com destaque para veículos de passageiros, petróleo e carnes. Há ainda o aumento de 34% das vendas para a Venezuela, concentrado em arroz (480%) e milho (1.553%), que somaram participação de 30%. A queda nas exportações e importações para os Estados Unidos mostra a redução das trocas comerciais. O aumento das importações em dois dígitos ocorreu somente para “Demais Ásia”; para a China, o aumento foi de 1,1%.
As exportações totais do Brasil aumentaram 14,3% e as importações, 6,2%, em valor, na comparação interanual do mês de abril entre 2025 e 2026. Na comparação entre os acumulados do ano até abril, em valor, os resultados foram de 9,2% para as exportações e 2,5% para as importações. No acumulado do ano, a variação do volume superou o aumento dos preços nas exportações; já na comparação mensal, a variação dos preços, de 7,6%, superou a do volume, de 6,2%. No caso das importações, os preços subiram na comparação do acumulado, enquanto o volume recuou 0,4%. No mês de abril, preços (3,7%) e volume (2,5%) aumentaram.

