Pequena indústria registra pior desempenho desde a pandemia, revela CNI

Foto: Crédito: Gabriel Pinheiro / CNI

O desempenho da pequena indústria chegou ao pior patamar desde a pandemia de Covid-19, revela o Panorama da Pequena Indústria (PPI), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta segunda-feira, 11. O índice que mede a performance das indústrias de pequeno porte caiu 1 ponto em relação ao 1º trimestre de 2025, atingindo 43,7 pontos, menor valor desde o 2º trimestre de 2020, quando atingiu 34,1 pontos.

O indicador de desempenho da pequena indústria é calculado a partir de três variáveis: volume de produção (ou nível de atividade, no caso da construção); utilização da capacidade instalada (ou operacional, no caso da construção) efetiva em relação ao usual; e evolução do número de empregados. A pesquisa também mostra que o caixa das empresas está pior. O índice que mede a situação financeira das indústrias de pequeno porte caiu 2,5 pontos, passando para 39 pontos, pior marca em cinco anos. O indicador leva em conta a facilidade de acesso ao crédito e a satisfação dos industriais com a situação financeira das empresas e com a margem de lucro operacional.

“Os juros altos tornam o acesso ao crédito ainda mais difícil para as pequenas indústrias, que são vistas pelo mercado como empresas de maior risco e, portanto, sofrem com taxas maiores. Além disso, houve um aumento no preço dos insumos e matérias-primas no 1º trimestre do ano por causa da guerra no Oriente Médio e isso pressionou a margem de lucro dessas indústrias”, afirma Julia Dias, analista de Políticas e Indústria da CN

No 1º trimestre de 2026, a elevada carga tributária seguiu como o principal problema enfrentado pelas pequenas indústrias, tanto as de transformação quanto da construção. O entrave, no entanto, perdeu importância em relação ao 4º trimestre de 2025, passando de 42,7% para 39,6%, e de 44,7% para 42,2%, respectivamente.

Entre as pequenas indústrias de transformação, a falta ou alto custo da matéria-prima saltou da sexta para a segunda colocação no ranking de principais problemas. No 4º trimestre, o entrave foi citado por 20% dos empresários. Agora, foi lembrado por 34,1%. Já a falta ou alto custo de trabalhador qualificado continuou na terceira posição do ranking, passando de 29,2% para 26,5% das assinalações.

Já nas indústrias de pequeno porte da construção, aumentou de 30,9% para 37,1% a preocupação com as altas taxas de juros, que seguem como segundo maior entrave ao setor. Em seguida, aparece a falta ou alto custo de mão de obra não-qualificada, cujo percentual praticamente não se alterou, saltando de 30,9% para 31%. Destaque para a preocupação com a escassez e o encarecimento da matéria-prima cresceu 14 pontos percentuais, de 4,1% para 18,1%, entre as pequenas indústrias da construção. Com isso, o entrave saltou da décima terceira para a quinta posição na lista de maiores problemas do setor.

CONFIANÇA BAIXA 

Ao longo de 2026, o índice que mede a confiança das indústrias de pequeno porte vem caindo. Em abril, o ICEI dessas empresas atingiu 44,6 pontos, menor índice desde junho de 2020, quando o setor era atingido pelos efeitos da pandemia. O pessimismo entre os empresários é intenso, disseminado e persistente, uma vez que o índice segue em patamar de falta de confiança há 17 meses consecutivos.

Já o índice de perspectivas da pequena indústria registrou 47,4 pontos, mostrando expectativas moderadas das empresas em relação ao próprio desempenho nos próximos seis meses. O indicador leva em conta a intenção de investimento nos próximos seis meses, as expectativas dos empresários para a demanda (ou atividade, no caso da construção) e o número de empregados.

Fique por dentro!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Compartilhe:

Deixe sua opnião:

Últimas Notícias

Desenrola 2.0 renegocia quase R$ 1 bilhão em dívidas, diz Durigan
Tesouro, B3 e BB lançam título com aplicação a partir de R$ 1
Cesta básica registra alta de 1,50% em Porto Alegre em abril, diz Dieese
Pequena indústria registra pior desempenho desde a pandemia, revela CNI
Estado arrecada R$ 4,6 bilhões com o IPVA 2026 até o fim do calendário
Governo amplia Luz para Todos na Amazônia Legal
Vale dos Vinhedos na Wine South America
Nova lei define percentual mínimo de cacau nos chocolates
Fórum Indústria Química RS debate competitividade, inovação e desenvolvimento sustentável