A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BCB) de reduzir em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros, levando-a para 14,5% ao ano (a.a), ainda é insuficiente, avalia a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Nem mesmo a volatilidade nos preços do petróleo decorrente da guerra no Oriente Médio justifica a cautela excessiva do BCB em relação ao ciclo de cortes da Selic, postura que sufoca ainda mais a economia.
“O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial. Ao mesmo tempo, o endividamento das empresas e das famílias bate recorde mês a mês, fragilizando a saúde financeira de toda a economia”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI.
Para Alban, o Banco Central precisa intensificar os cortes na Selic a partir da próxima reunião do Copom. “Uma taxa de juros mais baixa deixou de ser apenas desejável e passou a ser essencial para recuperamos a produtividade e o bem-estar da população brasileira”, completa o presidente da CNI.
O Brasil está menos exposto ao choque de oferta do petróleo decorrente do conflito no Oriente Médio, especialmente em relação a países europeus. Por ser exportador líquido da commodity e utilizar biocombustível no consumo interno, o país tem vantagem estratégica. A alta dos preços do petróleo pode pressionar a inflação doméstica temporariamente, mas também gera forte entrada de divisas, permitindo que o governo adote medidas para minimizar os efeitos da alta dos combustíveis.
Além disso, há expressivo ingresso de dólares no mercado de capitais, consolidando o apetite externo pelo mercado acionário brasileiro. As duas fontes de entrada de moeda estrangeira conferem resiliência ao real, que se valorizou 10% frente ao dólar desde o início do ano, e ajudam a amortecer pressões inflacionárias externas. A projeção da CNI é de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) vai fechar 2026 dentro do intervalo de tolerância da meta, cujo teto é fixado em 4,5%.
ENDIVIDAMENTO
A manutenção da Selic em patamar elevado tem feito o endividamento corporativo e a inadimplência atingirem níveis jamais vistos, prejudicando, sobretudo, micro e pequenas empresas. Os pedidos de recuperação judicial também batem recorde histórico, evidenciando que o alto custo financeiro prejudica a sustentabilidade operacional das companhias. A saúde financeira das famílias também se agravou nos últimos meses, com endividamento elevado e inadimplência crescente. As consequências para a economia são claras: menor capacidade de investimento do setor produtivo e menor poder de compra das pessoas físicas.
A política monetária excessivamente contracionista fica clara quando se considera a Regra de Taylor, que nada mais é do que o nível de juros que concilia pleno emprego e controle da inflação. Segundo estimativa da CNI, a Selic deveria estar em 11,1%, 3,4 pontos percentuais a menos do que o patamar atual. Isso significa que há espaço para o Copom promover cortes mais significativos dos juros sem comprometer a convergência da inflação à meta.

