A semana de 20 a 24 de abril será esparsa em indicadores econômicos relevantes. O feriado no Brasil reduz ainda mais a agenda doméstica. O protagonismo ficará com a guerra entre Estados Unidos e Irã e com o desfecho que começa a se desenhar: um possível acordo entre os dois países, ainda que persistam divergências públicas entre as partes, sobretudo quanto ao destino do urânio enriquecido, aos fundos congelados e ao próprio alcance do cessar-fogo. Aguarda-se uma reunião entre os dois países no Paquistão.
A variável central continua sendo a duração do conflito e as condições de navegação pelo estreito de Ormuz. Quanto mais a guerra se prolongar sem solução, maior será o impacto sobre a economia global. “Se, por outro lado, o acordo se concretizar, a tendência é de acomodação do petróleo no piso de US$ 80 por barril, o que abriria uma perspectiva mais benigna para os preços de energia nos próximos meses. Ainda assim, a violência da alta registrada nas últimas seis semanas deixará alguma marca inflacionária no mundo, independentemente do desfecho”, comenta Leandro Manzoni, analista da plataforma Investing.com.
NORTE-AMERICANOS
Os dirigentes do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) deixaram claro na última semana que o choque do petróleo alterou as diretrizes da política monetária americana. O que antes apontava para ao menos mais um ou dois cortes de juros em 2026 está agora em compasso de espera. O presidente do Fed de Nova York, John Williams, afirmou que a taxa de juros se encontra em patamar adequado — e que o momento é de observar os dados.
“A questão central permanece: haverá efeitos inflacionários de segunda ordem, com impacto sobre o núcleo da inflação? As expectativas serão contaminadas? Por ora, os dirigentes do Fed estão relativamente menos desconfortáveis: a desancoragem das expectativas ainda não ocorreu”, diz Manzoni.
O cenário brasileiro é, por outro lado, mais preocupante. Dois diretores do Banco Central — Nilton David e Paulo Picchetti — sinalizaram na última semana preocupação com o horizonte relevante da política monetária, especialmente com a inflação de 2028, que volta a se distanciar do centro da meta de 3% ao ano. O último Boletim Focus registrou alta da projeção para 2028, de 3,5% para 3,6%, lançando dúvidas sobre a extensão do atual ciclo de cortes. Desta forma, dificilmente a taxa Selic chegará abaixo de 13% ao ano até o fim de 2026.
“Ainda assim, cortes graduais de 25 pontos-base permanecem viáveis — desde que o conflito seja encerrado nos próximos dias e o fluxo comercial de petróleo no estreito de Ormuz seja, ao menos, parcialmente retomado. O Comitê de Política Monetária (Copom) tem margem para agir, mas o espaço é limitado. Por isso, o Boletim Focus ganha dimensão crescente a cada semana: é o principal termômetro para avaliar para onde caminham as expectativas de inflação no horizonte relevante da política monetária (2027 e 2028”, sinaliza o analista da plataforma Investing,com.
Na sexta-feira, 24, o Brasil divulga os dados do setor externo de março, com atenção especial às transações correntes. A expectativa é de resultado comportado, sustentado por balança comercial mais favorável, já que a alta do preço do petróleo elevou o saldo superavitário da conta de petróleo no período.

