Vendas nominais no varejo devem subir em fevereiro, aponta IDV

Os últimos dados do IAV-IDV (Índice Antecedente de Vendas do Instituto para Desenvolvimento do Varejo) nominal, que considera a participação das atividades no volume total de vendas do comércio varejista medido pelo IBGE, apresenta previsão de crescimento de 2,7% em fevereiro, 6,8% em março e 1,9% em abril, sempre em relação aos mesmos meses do ano anterior. Em janeiro, houve alta de 1,4%. Já os dados apresentados pelo IAV-IDV, ajustados pelo IPCA, apontam queda de 0,9% em fevereiro, alta de 3,4% e março e nova queda de 1,5% em abril. Em janeiro, houve queda de 3,0% em relação ao mesmo mês de 2025.

“O resultado de janeiro foi influenciado pela intenção de consumo das famílias, medida pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), que cresceu 0,8% ante dezembro, consolidando o terceiro aumento consecutivo. A melhora foi puxada pelo aumento no acesso ao crédito e na avaliação sobre o momento para a compra de bens de consumo duráveis, principalmente entre as famílias de renda mais baixa”, explica Jorge Gonçalves Filho, presidente do IDV.

O cenário macroeconômico brasileiro para 2026 indica um ambiente de atividade econômica em ritmo moderado, com crescimento do PIB estimado em 1,80%. Esse desempenho reflete, em grande medida, os efeitos defasados da política monetária restritiva ainda vigente, além de um contexto de normalização gradual da demanda doméstica. No campo inflacionário, projeta-se que o IPCA acumule alta de 3,95% em 2026. Essa trajetória reflete, por um lado, os impactos do aperto monetário implementado desde anos anteriores e, por outro, a redução das pressões de custos, incluindo a melhora das cadeias globais de suprimentos. Cabe destacar que o IPCA encerrou 2025 em 4,26%, permanecendo abaixo do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o que contribui para um ambiente de maior previsibilidade inflacionária ao longo de 2026.

JUROS

Com a inflação projetada em processo de estabilização, as expectativas de mercado apontam para uma taxa Selic em torno de 12,25% ao final de 2026. Esse movimento sinaliza uma transição cautelosa da política monetária, compatível com um cenário de crescimento moderado, inflação controlada dentro do intervalo de tolerância da meta e um mercado de trabalho em acomodação gradual, sem alterações abruptas nas condições macroeconômicas gerais. “Esse ambiente econômico pode influenciar o desempenho do varejo, em especial dado a elevada taxa Selic de 15% e a perspectiva de redução insignificante da mesma. Já a evolução favorável do quadro inflacionário, as perspectivas de redução de juros e a manutenção da resiliência do mercado de trabalho podem influenciar positivamente o setor varejista”, analisa Jorge Gonçalves Filho.

As projeções são feitas a partir dos dados individuais que cada associado do IDV informa em relação à sua expectativa de faturamento para os próximos três meses. Esse conjunto de empresas que compõem o índice possui representantes em todos os setores do varejo e corresponde a, aproximadamente, 20% das vendas no varejo brasileiro.

Em dezembro, dois setores do índice apresentaram queda nas vendas: atacado e móveis e eletrodomésticos. No setor de hipermercados e supermercados, janeiro teve alta de 0,9% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo do previsto no mês anterior. Para fevereiro e março, a previsão é de alta de 3,0% e 13,0%, respectivamente, e para abril, queda de 0,3%. No setor de atacado, janeiro teve queda de 1,1% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo do previsto no mês anterior. Para fevereiro, março e abril, a previsão é de alta de 3,5%, 3,0% e 3,4%, respectivamente.

No setor de material de construção, janeiro teve leve alta de 0,2% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo do previsto no mês anterior. Para fevereiro, março e abril, a previsão é de alta de 2,6%, 4,9% e 5,1%, respectivamente. No setor de outros artigos de uso pessoal e doméstico, janeiro teve alta de 1,8% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo do previsto no mês anterior. Para fevereiro, março e abril, a previsão é de alta de 3,4% 5,0% e 1,2%, respectivamente.

No setor de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, perfumaria e cosméticos, janeiro teve alta de 13,8% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo do previsto no mês anterior. Para fevereiro, março e abril, a previsão é de alta de 14,0%, 14,2% e 11,7%, respectivamente. No setor de móveis e eletrodomésticos, janeiro teve queda de 3,1% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo do previsto no mês anterior. Para fevereiro, a previsão é de queda de 6,8%, e para março e abril, a projeção é de alta de 2,2% e 3,5%, respectivamente. No setor de tecidos, vestuário e alçados, janeiro teve alta de 9,1% em relação ao mesmo mês de 2025, em linha com o previsto no mês anterior. Para fevereiro, março e abril, a previsão é de alta de 6,7%, 7,0% e 5,2%, respectivamente.

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